sexta-feira, 15 de março de 2019

Noite de sexta

Era sexta-feira e a palestra-aula do que fazer quando eles começam a fazer peguntas ia começar. Andrew chegou no prédio e entrou na fila no qual seria indicado a sala onde a palestra iria ocorrer e ele assinaria o nome indicando que se encontrava presente.

"Boa noite." Uma mulher na faixa dos 50 e com os dentes amarelados sorriu para ele. "O senhor é padrinho de quem?" Ela perguntou um pouco sem jeito para o professor, afinal, ele parecia ser um homem importante da alta sociedade.

"Brian Cooper." O professor de inglês respondeu, olhando o relógio, não vendo a hora daquela palhaçada terminar.

"Cooper..." A mulher começou a analisar as inúmeras folhas largadas na mesa. "Aqui!" Ela comemorou. "O senhor pode rubricar no espaço ao lado por favor." Ela virou a lista para o professor e o entregou a caneta.

Andrew pegou a caneta da mão da mulher e rubricou o papel, notando também, que a assinatura de Jessica já estava lá, indicando que ela havia chegado e que provavelmente estava atrasado.

"Certinho!" A mulher sorriu gentilmente. "Sala 103, a segunda a direita do corredor principal."

"Obrigado."

Andrew se dirigiu a sala onde estava acontecendo a palestra. Quando ele chegou, a porta estava fechada. "M***a!" Ele pensou, por causa de seu pequeno atraso, ele seria o último a entrar chamando a atenção de todos. Ele deu duas batidas na porta e virou a maçaneta. Ao abrir a porta ele viu a sala cheia, com carteiras distribuídas como numa sala de aula, e com um homem aparentando seus 60 anos a frente.

"Chegou bem a tempo! Eu vou começar a falar do tema agora." O senhor foi até a gaveta da mesa, tirou uma apostila e entregou a Andrew. "Pode escolher qualquer um dos lugares vazios." Ele completou.

Andrew assentiu com a cabeça, no fundo se perguntando onde havia se metido. Seu instinto foi procurar Jessica, afinal, era a única pessoa que tinha um certo tipo de intimidade, porém ela não se encontrava naquela sala. Ele reconheceu Martha e Bartolomeu, Vera e Marcelo, Lindalva e Marcos, Sérgio e Gina, que sorriu para ele e balançou a cabeça pra cadeira vazia ao seu lado. Andrew foi até o lugar vazio ao lado de Gina e a cumprimentou.

"Demorou pra chegar. Já tava achando que você não viria mais." Gina disse com aquele jeito descontraído de sempre.

Andrew olhou o relógio e viu que só tinha se atrasado 15 minutos. Ô povo dramático. "Eu quis tomar um banho antes de vir." Ele se explicou.

"Ai, você é tão engraçado!" Gina deu sua famosa risadinha irritante para o professor.

"Por que eu aceitei sentar logo do lado da Gina?" Ele pensou.

E de repente, Jessica entrou na sala, dando um olhar apologético para o instrutor e indo em sua direção (?).

"Se eu dormir, pode chutar a cadeira." Jessica brincou com o professor e depois se sentou na carteira em frente a dele.

Andrew riu. "E quem vai me acordar se eu dormir porque eu to prestes a cair num sono." Ele disse baixo, perto do ouvido da ruiva.

"Pode deixar que a Gina vai ficar honrada em fazer o serviço." Ela sussurrou de volta.

"Nem fala... ela parece uma sombra." Ele reclamou.

"Você ainda é novidade, daqui a pouco ela desencana." Jessica o consolou.

"Espero!"

"Primeiramente, é muito bom ver essa sala cheia. Eu sei que vocês são pessoas ocupadas, mas devemos ter nossas prioridades no lugar e vocês estão no caminho certo." O instrutor iniciou.

"Como se ele tivesse nos dado a opção de não vir." Andrew falou baixo perto do ouvido da Jessica para os outros não ouvirem.

"Se a gente tivesse tido opção essa sala estaria vazia." Jessica retrucou no mesmo tom de voz, inclinando o rosto sutilmente para trás.

"Só sei que com certeza eu estaria longe daqui."

"O tópico de hoje é o fazer quando as crianças começam a questionar. Esse assunto é meio polêmico e preocupante. Dependendo das nossas respostas, nossos afilhados vão se sentir justificados para fazerem ou deixarem de fazer certas coisas."

O instrutor então começou a passar os slides e desenvolver o tema. Jessica estava sentada de qualquer jeito na cadeira, apoiando o rosto na mão.

Andrew estava dormindo atrás de Jessica quando deu o intervalo. Jessica olhou para trás e o viu dormindo.

"Não creio!" Jessica exclamou de forma brincalhona.

Andrew acordou assustado.

"Você dormiu!" Ela disse se divertindo com aquela situação.

"E eu gostaria de continuar nesse estado, obrigado." Andrew respondeu fechando os olhos de novo.

"Eu lutando pra ficar acordada e você nem se dando o trabalho." Jessica balançou a cabeça.

"Um de nós tem que ta preparado pra responder as perguntas do Brian." Ele debochou da instrução.

"E só eu que vou saber responder." Ela entrou na piada.

"Eu ainda to com fome. Tive que vir direto do trabalho." Ele reclamou.

"Eu tenho um biscoito na bolsa, só que é vegano, não sei se você vai gostar." Jessica ofereceu.

"To aceitando qualquer coisa."

Jessica entregou o pacote de biscoito a Andrew que começou a comer. O instrutor voltou pra sala e continuou a falar. Jessica sentiu alguém mexendo no seu cabelo de um jeito meio brusco. Ela olhou pra trás pra ver o que estava acontecendo. Andrew então falou com a boca cheia: "Foi mal, caiu farelo no seu cabelo." Ele balançou o cabelo dela tentando fazer os farelos saírem.

"Eu lavei ele quarta!" Jessica reclamou passando os dedos nos fios.

"Já ta na hora de lavar de novo, ele ta meio sujo." Andrew brincou, fazendo Jessica revirar os olhos e voltar pra frente.

****

Ao término da instrução, Andrew e Jessica decidiram jantar, visto que os dois estavam morrendo de fome.

Eles foram para um restaurante de comida oriental a poucos quilômetros dali. O ambiente era pouco iluminado e aconchegante (tipo o Outback). Eles começaram a jogar conversa fora enquanto comiam. Falaram sobre a instrução, o dia deles e da comida. Depois de um pouco mais de uma hora conversando, eles já estavam em assuntos mais profundos, acompanhados por uma taça de vinho.

"Qualquer um comparado a você parece um endemoniado." Andrew se defendeu.

"Eu sei disso e eu me sinto a maior farsa do mundo. Eu não queria que me vissem como a Madre Teresa que não faz nada de errado mas é assim como a maioria me vê." Jessica desabafou.

"Pode deixar que eu não te vejo assim." Andrew falou despretensiosamente.

"Obrigada." Ela o olhou desconfiada.

"Não é pra você se sentir ofendida. Eu te acho uma pessoa boa, mas com os seus defeitos." Andrew explicou.

"Ouch!" Ela brincou.

"Você me entendeu."

Os dois ficaram em silêncio por um momento. Andrew estava com a atenção na comida e Jessica girava a própria taça de vinho.

"Eu estava grávida semana passada." Ela revelou do nada.

Andrew quase se engasgou com a comida.

"O quê?"

"Eu não falei pra ninguém porque eu sabia que não ia dar em nada, e... não deu." Ela disse meio abatida, sem tirar a cara de surpresa do Andrew.

"Nem pro Júlio?" Ele falou eventualmente.

"Não, ainda mais porque... ele não tinha nada a ver com a história." Ela falou olhando da taça para ele, procurando algum tipo de reação.

"Como assim?" Então a ficha caiu, "quem era o pai?"

"Honestamente, eu só sei que o primeiro nome dele é Murilo." Ela pausou. "Eu nunca faço isso, nunca!" Ela disse frustrada.

"Eu sei." Ele não tinha certeza mas achou melhor concordar. "Como foi que aconteceu?"

"Eu fui com um grupo de amigas num desses bares que só os divorciados ou os frustrados com a vida frequentam. A gente tava numa mesa conversando até que o garçom apareceu na nossa mesa e entregou uma bebida que nenhuma de nós havia pedido e disse que um cara tinha pedido pra mim na conta dele. Eu disse que não ia aceitar porque sabe lá o que podiam ter colocado da bebida, mas o garçom garantiu que não tinha nada porque ele tinha pegado a bebida direto com o barista e levado até mim. Aí minha amiga perguntou quem era o cara e o garçom apontou. O tal cara sorriu pra mim e levantou o copo dele pra mim."

"Que brega!" Andrew interrompeu a história.

"Né? Mas as minhas amigas acharam muito legal e me perguntaram o que eu tinha achado dele. Eu disse que ele era atraente mas eu não estava interessada. Depois o cara se levantou, foi pra nossa mesa, pediu licença para as minhas amigas e sussurrou com a boca encostada no meu ouvido, me convidando pra sentar com ele. Eu agradeci e disse que  ia ficar com as minhas amigas, apesar de estranhamente aquilo ter me afetado porque eu sou muito fácil."

Andrew ergueu as sobrancelhas.

"Não nesse sentido!" Ela retrucou.

"Você tem que admitir que ficou meio ambíguo." Ele riu, "mas continua."

"Voltando, ele se virou para as minhas amigas, se apresentou e pediu pra elas me convencerem de sentar com ele, e foi exatamente o que elas fizeram. No final, eu acabei cedendo e ele se mostrou um cara bem legal. Ele falou do trabalho, dos filhos, dentre outras coisas, aí depois... aconteceu." Ela disse meio envergonhada.

"Assim? No bar? Você não ficou com vergonha?" Ele brincou.

"Muito engraçado." Ela zombou. "Enfim, no final ele pediu meu telefone e eu dei o número errado, e nunca mais o vi." Ela concluiu.

"E você descobriu que tava grávida quando?"

"Algumas semanas atrás. Eu comecei a sentir enjoo e dor de cabeça. Minha secretária ficou insistindo pra eu procurar um médico e eu dizendo que não era nada. Até que um dia, no meio de um acordo judicial, eu desmaiei. Quando eu acordei, eu estava no hospital com uma enfermeira me dando os parabéns. Duas semanas depois eu perdi." Jessica relatou.
Andrew deu um olhar compadecido.

"Eu nem fiquei triste nem nada. Não é como se eu quisesse ter um filho de um estranho que eu conheci num bar." Ela completou.

"Tem certeza que você está bem?" Ele perguntou preocupado.

"Acho que sim." Ela pausou, "eu vou ficar." Ela abriu um sorriso fraco.

Andrew a olhava com pesar.

"Vamos mudar de assunto?" Jessica perguntou tentando mudar o clima.

"Concordo."

"Eu conheci uma senhora esses dias que trabalha com reciclagem. Ela tava coletando o material na rua e sofreu um acidente na hora que eu tava passando. Eu ofereci levá-la pra casa e nossa, a situação dela é totalmente precária. Ela me disse que não tinha nada pra comer naquele dia e nem o que dar pro neto dela. Ela abriu a geladeira e o armário da cozinha pra me mostrar e realmente estavam vazios. Eu me senti muito mal. Quando eu fui embora, eu passei no mercado e fiz umas compras pra ela passar o mês. Quando eu levei pra ela, tinha que ver como ela ficou! Ela ficou tão feliz e emocionada. Aquilo me tocou muito."

"Imagino, deve ter sido muito emocionante." Andrew retrucou.

"Se foi. Eu to querendo fazer uma arrecadação de alimentos pra ajudar outras pessoas como ela." Jessica falou animada.

"Acho uma boa ideia. Se precisar de ajuda, pode contar comigo." Ele ofereceu.

"Obrigada."

"Eu nem te contei. Eu fui pro Centro da Cidade na sexta passada, e um jovem me entregou um pedaço de papel em frente ao prédio da Light. Quando eu vi, era um poema do dia da mulher. Eu peguei, olhei pra trás e vi que o garoto só tava entregando o poema às mulheres. Eu encucado, meio preocupado dele ter me confundido com uma mulher, fui ler o poema. Olha o que diz o poema."

Andrew tirou o papel da carteira e começou a ler.

"Neste mundo existem....
mulheres amadas....
violadas na mente,
violentadas na alma,
castradas no corpo,
sem voz..sem liberdade,
acorrentadas em dor,
por homens sem coração
cansadas, tristes,
desesperadas, mal amadas,
laços atados, em nós de ferro...
mãos geladas e frias, feitas num mundo cruel..!!!"

Ele terminou de ler.

"Ele achou o quê? Que eu maltrato as mulheres?"

"Bom, as aparências enganam." Jessica riu.

"Que bom que você acha graça. Eu realmente fiquei preocupado." Ele falou bem-humorado.

Jessica riu mais. "Você tem as melhores histórias."

"Preferia não ter."

"Isso me lembrou de uma piada que eu escutei." Jessica falou animada.

"Qual?"

"Se um pato perde a pata, ele fica manco ou viúvo?" Ela perguntou rindo

"O que essa piada tem a ver com o que eu falei? E ela é péssima!"

Andrew questionou e Jessica deu de ombros.

"Seu senso de humor precisa ser trabalhado." 

"Ou suas piadas que precisam." Andrew retrucou.

"Chato." Ela deu um gole no vinho. "Eu to precisando ir ao Centro também."

"Pra quê?"

"Levar meu celular pro conserto, ele ta com um problema na tela. Não para de piscar, não to conseguindo nem checar meu e-mail direito." Ela reclamou.

"Estranho."

"Né? Do nada ele ficou assim." Ela completou.

"Deixa eu ver."

Jessica entregou o celular na mão dele. Andrew analisou, olhou as configurações e depois deu 3 pancadas na mesa com ele.

"Andrew!" Jessica o advertiu.

"Calma, já fiz isso antes." Ele disse achando graça da cara que Jessica estava fazendo naquele momento.

"Eu também, e as coisas não terminaram bem pro controle da minha tv."

"Não se faz isso com controle." Ele respondeu tranquilamente e reiniciou o celular.

"Não se faz com controle mas se faz com o celular?" Jessica perguntou ironicamente.

"Dependendo do caso." Ele disse presunçoso.

"Sei."

Depois Andrew entregou o celular de volta pra ela funcionando normalmente.

"Como você fez isso?" Jessica perguntou surpresa.

"Ué. Eu fiz na sua frente, você não viu?" Ele deu uma risada.

Jessica revirou os olhos pelo ar convencido dele.

"Como não sou ingrata, obrigada."

"De nada." Ele respondeu satisfeito.

Os dois ficaram conversando por mais um tempo e depois Andrew levou Jessica em casa.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

E a Cristine?


Andrew estava olhando os preços da geleia, quando escutou uma voz vinda detrás dele perguntando:

"Who's Jessica?", Asa segurava uma caixa de sucrilhos.

"Why are you asking me that?", indagou Andrew surpreso, após se virar para seu filho.

"Why aren't you answering me?", continuou o menino desconfiado.

"Por que você ta falando em inglês?", desviou Andrew do assunto.

Asa revirou os olhos e falou:

"Você vai me responder ou não?"

"Você já sabe quem ela é. Jessica é a madrinha do Brian.", o professor falou pegando uma geleia de laranja.

"Outra Cooper." Asa revirou os olhos novamente.

"Ex-Cooper. E por que a pergunta?"

"Nada! Eu só ouvi algumas coisas."

"Que coisas?", perguntou o britânico desconfiado.

"Nada, nada!", Asa sacudiu a cabeça e foi mudando logo de assunto: "E a Cristine?"

"Quê que tem a Cristine?"

"Como ela ta?"

"Ta bem, muito bem.", desconversou Andrew.

"Vocês ainda estão juntos?", insistiu Asa.

-"É!", respondeu Andrew desconfortável.

Os dois ficaram quietos por um momento, até que Asa quebrou dizendo resoluto:

"Eu quero conhecer ela."

"Mas ela não é minha namorada, Asa."

"Ela sabe disso?"

"Sabe, seu bobão!", disse ele bagunçando o cabelo do filho. 

"Olha...", Asa falou depois de um curto tempo em silêncio. "eu sei que ela não é a sua namorada, mas vocês já estão saindo há tanto tempo. Eu não tenho expectações..."

"Expectativas.", corrigiu o professor.

"Expectativas. Eu só quero conhecer ela."

"Ta... É só que...", Andrew começou a coçar a cabeça. "Eu fico com medo dela... Sei lá, dela achar que eu to dando um passo pro namoro."

"Você não gosta dela mesmo."

"Eu gosto! Gosto sim. Ela é bem legal, mas só que eu não quero namorar, entende? Namorar é meio chato."

"Namorar é chato quando é com a pessoa errada."

"Você é muito novo! Você não entende das coisas."

"Deixou uma oportunidade daquelas passar.", disse Asa revoltado.

"Começou...", Andrew revirou os olhos.

"Agora ela ta com quem agora? Com o Bradley!", disse ele levantando os braços e descendo rapidamente.

"Não sei por que você não gosta do Bradley. Ele foi tão legal com a sua mãe... E comigo também! Várias vezes."

"O Bradley ignora minha existência. Ele nunca fala comigo."

"Ele fala sim. Ele só não mantém..."

"Não, não!", Protestou Asa interrompendo Andrew.

"...uma conversa longa, porque ele te acha tímido."

"Não, não! Ok, eu falo pouco, mas ele quase nunca fala comigo. Ele só fala com a Crystall!"

"Você ta sendo muito injusto com ele."

"Eu não sei. Ele é legal com vocês, mas não é comigo."

"Ele me dá tantos conselhos em relação a você. Conselhos muito bons, aliás."

"E também te dá praticamente o filho dele pra criar.", falou Asa sentido.

"Isso não é verdade, Asa! E olha, se você acha que ele não fala direito contigo, dá o primeiro passo: fala com ele! Tenho certeza que ele não vai te ignorar."

"Mas... Mas eu sou criança!", protestou o menino.

"E daí?"
 
"E ele é mais velho!"

"E?"

"E aí que a lei para viver em sociedade é: mais velhos puxam assunto com crianças e não o contrário."

"A Crystall e o Brian puxam assunto com todo tipo de gente."

"Ah, mas eles querem ser estrelas e eu quero ser normal!"

"Se você ta dizendo..."

"Você mudou de assunto!"

"Você que meteu Elizabeth no meio!"

"E a Cristine? Quando eu vou conhecer ela?"

"Vamos fazer um seguinte? Sua vó vai vir aqui ficar umas semanas comigo. Quando ela for embora, se eu ainda estiver com a Cristine, eu te apresento a ela, SE ela aceitar te conhecer, porque tem isso também."

"Ela vai querer."

"Eu não teria tanta certeza se fosse você."

"Ai, que looooonge.", Asa bateu o pé impacientemente.

"O seu senso de tempo é tão dramático."

"Você vai terminar tudo com ela só pra não me apresentar."

"Claro que não!"

"Vai sim! Eu te conheço, pai."

"Não vou. Eu prometo!"

"Ok!", Asa olhou desconfiado, aceitando por aquele momento a promessa do pai.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

7 curiosidades sobre Antonella


Antonella, a mais nova professora do Cavalinho Feliz, já é uma antiga conhecida de todos nós. Sabemos que ela foi casada com Andrew, com quem teve Asa, e que atualmente está com John, pai de Crystall, porém tem ainda muita coisa que não sabemos, então, vem aí uma pequena lista sobre 7 curiosidades da moça (algumas acompanhadas por histórias):

1- Ela tem duas irmãs chamadas Luna e Chiara e é a filha do meio.

           (Chiara)                                                    (Luna)
2- Quando era pequena, participou de comerciais de fralda e boneca.

3- Seu tio é dono de uma pequena loja de gelatto, na qual ela já trabalhou como atendente na adolescência.


4- Antonella conheceu Andrew enquanto vendia pinturas numa praça em UK.

Antonella estava sentada lendo um livro, quando viu um possível cliente observando as pinturas. Ela prontamente se levantou e perguntou:
- Do you want some help?
- Just looking. - Respondeu, ao que pareceu secamente, o cliente.
- Ok!
O cliente ora olhava para as pinturas, ora olhava para trás. Antonella percebeu que ele observava uma mulher no celular, provavelmente sua namorada. Após um pequeno tempo nesse movimento, ao notar que ele já estava se direcionando para outra barraca, ela emendou rapidamente:
- These paintings were made by people without arms.
- Seriously? They are very good. - Disse ele. Antonella sentiu que ele só disse aquilo por educação, já que para ela faltou empolgação na resposta.
- Yeah, very impressive! Some of them... - Ela se interrompeu, percebendo que ele queria ir embora. - I'm sorry. I'm stucking you here.
- No, no. I'm so sorry. - o cliente disse meio envergonhado - It's because, you see, I'm not christian, so...
- Ooooh! - Ela disse surpresa - Yeah, I got it! 
- But you can finish, though.
- I would just say that some of these paintings are also mine.
- Oh, you are a painter. 
- Yeah. - Ela olhou pra baixo.
- But you have arms. - Constatou ele, olhando rapidamente para trás.
- I know. I mean, I don't paint with them. I paint in a church that promotes this humm... this project. So I come here every Saturday and Sunday to try to sell it.
- Wich ones are yours?
- This three.
- Just that?
- I actually painted more, but the priest didn't like it very much, so ... just these three.
- May I ask why he didn't like it?
- Well... - Os pensamentos de Antonella estavam confusos. Ela não era muito fluente em inglês, então era difícil pra ela explicar algo tão complexo com clareza. - Let me try to explain you... I'm not english.
- I noticed that. Where are you from?
- Italy.
- Oh! I've never been there, but I have friends who have been and they said that it's a beautiful country.
- It is, it is. You should go there, someday. But is also very competitive when it comes to painting, you know, 'cause it's the art... Hmmm... the place that art... the birth of the art?
- Yeah, yeah! - Ele riu bem discretamente. - I understand.
- Well, so about the priest, he didn't like it because I tried to show Jesus birth from another perspective. I mean, I believe that Mary struggled a lot when she found out that she gonna be Jesus mom. Sometimes, I believe, that she felt really scared, like... like it was a burden that she couldn't take, you know? But how she could deny such task? And I also think that sometimes she was relax, everybody happy around her, or she was cooking or something, and then, out of nothing, she reminds that she will going to be Jesus mom and then she felt something in her heart, a nervous and a weight, and didn't know how was going to be. And I also imagine the pain of the birth, and the love for her child and the burden of being Jesus mother. To doubt of herself. I tried to capt those moments. Those moments that aren't in the bible, but as a human being, you kind imagine that she felt. Do you understand what I'm saying?
- Totally! - Respondeu ele, que parecia absorto no que ela estava dizendo. - And what did the father say?
- Well, he said that she felt scared in the begining, but God give her confidence to not fear what was coming, so she not feared anymore. And he also said that those feeelings that I was trying to capt are human feelings, but when it comes to Mary, she is a saint, so she didn't feel all those things that I thought she might feel. I think in a catholic perspective, what I thought is inconceivable.
- I think that those paintings that you did were way better than these ones. More meanfull, you know? You should try to sell them.
- I don't know. Maybe...
- I would really like to see them someday. 
- I can bring them next Saturday or Sunday, if you like.
- Yeah, yeah! Sounds nice!
De repente chegou uma mulher, que se direcionou a ele dizendo:
- Hi!
- Hi! - Ele se virou para ela - How's Michelle?
- She's terrible! She is doing a lot of drama, as only she does. - Ela fez uma pequena pausa e depois continou - So, what you're doing?
- I'm seeing these paintings. They were painted by people without arms.
- Wow! They're great! - Disse ela fingindo certa empolgação. Antonella percebeu que ela levava uma aliança no dedo anelar da mão esquerda. "Então são noivos", ela pensou. 
- So... I'll take this one. I'm an art supporter. - Ele disse a última frase olhando para sua noiva.
- Really? - Perguntou Antonella surpresa. - Oh, thank you very much. Paul is gonna love it.
- How much does it cost? - Perguntou a mulher.
- Ten pounds. - Respondeu Antonella embrulhando o quadro.
- Ok! - Disse Andrew pegando a carteira e entregando o dinheiro.
- Thank so much! - Falou Antonella entregando o quadro.
- Your welcome! Bye!
- Come on, Andrew! - Disse a mulher baixinho puxando Andrew pela mão e depois se virando para Antonella e dizendo: - Bye!
- Bye, guys, and thank you! See ya! - Antonella falou animada.
Enquanto via os dois saindo de mãos dadas, Antonella se sentiu vitoriosa por tê-lo feito levar alguma coisa. Ele havia dito que apareceria semana que vem para ver os outros quadros natalinos que ela tinha mencionado. Ela riu quando lembrou disso com uma convicção absoluta de que nunca mais veria aquele cara de novo. 

5- Antonella desde pequena sempre quis que sua filha se chamasse Crystall.

- I was wondering... - Andrew disse próximo do ouvido de Antonella, enquanto os dois estavam abraçados na cama - that it's time for us to think about the name of our litte accident.
Antonella franziu a testa e perguntou:
- Really? Right now?
- Right now. - Respondeu ele imitando o sotaque de Antonella.
- Well... I already know the girl's name. 
- Without consulting me? - Perguntou ele, apertando a barriga dela com o dedo para fazer cosquinha.
- Without consulting you. - Disse ela rindo, por causa da cosquinha. - Stop! - Ela pediu ainda rindo.
- Alright, alright! So, what is the name?
- Cristalli. - Ela disse se virando para ele para ver sua reação.
- Cristalli? - Disse ele estranhando o nome. - Where did you get that from?
- Well, when I was a child... A kid... A child?
- Both are fine.
- No, I can do better. When I was little... - Disse ela orgulhosa de si mesma. - Are you proud?
- Honestly, all I want to know is the rest of the story.
- Argh! Ok! So when I was little, I was obsessed with crystals, so much that my favorite dolls were called "Cristalli".
- It must be confusing for them...
- It was not, because I had a system...
- Hmm... - Andrew riu zombeteiro.
- ...that only one doll could call "Cristalli", so if my favorite doll changed, the old "Cristalli" would got another name.
- I bet many "Cristalli" have suffered from an identity crisis.
- Mock all you want. The important thing is that I will not give up having a girl named "Cristalli".
- Ok, but if "Cristalli" means crystal and we are in UK, why not "Crystal"? It's a relatively good name as well.
- With double "l" at the end?
Andrew franziu a testa e disse a contragosto:
- Whatever you want.
- Alright! I'll keep that in mind. - Disse Antonella satisfeita.
- Since you chose the girl's name, if it's a boy, can I choose?
- It'll be a girl. My family is a woman's family.
- Well, my family is basically a man-only family. 
- Ok. So you can choose the boy's name. But - Ela deu ênfasis no "but" - I will have the right to deny at least two names.
- It's a deal!
- Look how evolved we are. - Disse Antonella levantando da cama para ir ao banheiro. - We've already picked the names without fighting. - Ela disse saindo do cômodo.
- That's because you don't know my name options. - Falou ele baixinho rindo.

6- Antonella conheceu seu atual marido numa aula de alemão.

O professor pediu para os alunos fazerem duplas para realizarem a atividade de conversação que estava na apostila. Antonella e John, então, se juntaram para a tarefa. Depois de terminada, John perguntou:
- So why German?
- Well, why not?
- Fair enough.
- I'm kidding. I'm actually just learning German because I want some time for myself.
- And you wanted to spend your time learning German?! This language is horrible! - Disse John brincalhão.
- Yeah, it's kinda hard. - Ela riu.
- Is VERY hard. - Ele enfatizou o "very".
- And you? Why German?
- My boss, who is a horrible person, by the way, forced the employees to learn German, so here I am.
- It's a little bit fun...
- ... Funny this feeling inside? - Ele interrompeu ela. - Don't you think it's a little early to say that?
- For Christ sake! - Ela revirou os olhos. - I would say that is a little bit FUN learn another language.
- Right! If that language is not German.
- I thought we have fun in our German conversation.
- You have fun and I was bored during the whole conversation, as a normal person would. Actually, I did not even understand what we talked about.
- Are you saying that I'm not a normal person? - Ela perguntou fingindo estar chocada.
- That's exactly what I meant.
- Oh!
- By the way, I'm John.
- Antonella.
- Schön dich kennenzulernen, Antonella. (Prazer em conhecê-la, Antonella)
- The f*** schön dich kennen... zu... lar...
- Kennenzulernen.
- You know what I meant!
Os dois riram e o professor que havia escutado a última frase os interrompeu e disse:
- Auf deutsch! (Em alemão!)
- Sorry, I mean, es tut mir leid. - Disse Antonella.
O professor foi para o outro canto. Os dois se entreolharam e começaram a rir novamente baixinho.

7- Antonella começou a morar com John 3 meses depois de pedir o divórcio.


Espero que tenham gostado das curiosidades! :) 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Sanduíche do dia

Emma bateu na porta do pequeno apartamento de Andrew e deu um passo para trás, aguardando o professor atender a porta. Emma estava usando uma larga camisa preta da banda de rock norte-americana Van Halen e um short curto. Ela não costumava se arrumar muito pra visitar seu amante. Ela gostava do clima não-to-nem-aí-pra-você que eles tinham. Andrew abriu a porta, e como de costume, eles se cumprimentaram verbalmente, sem nenhum contato físico. Emma levava consigo um sanduíche que tinha comprado para os dois, no qual ela estava viciada porque tinha um molho que ela classificava como divino.



"Olha o que eu trouxe e de nada!" Emma disse pretensiosa.

"Humm... pão..." Andrew respondeu ao abrir o saco sem nenhum entusiasmo.

"Não é só pão. É um sanduíche tipo o Subway só que melhor! E me custou 12 reais cada então seja mais grato." Emma pegou o saco da mão dele e entregou um sanduíche a ele.

"Meio caro esses sanduíches." Andrew se sentou e deu uma mordida no sanduíche dele. "Nada demais." Ele concluiu depois de provar.
"Claro que você achou isso. Você comeu com a mente fechada." Emma reclamou.

"Na verdade não. Só que você me prometeu uma BMW e me entregou um Fiat Uno." Andrew disse ainda comendo o sanduíche.

"BMWs são superestimadas." Emma retrucou sem querer dar o braço a torcer.

"BMWs são superestimadas." Andrew remedou a menina, forçando a voz rouca.

"Da próxima vez, eu vou te deixar com fome." Emma o ameaçou forçando um olhar severo.

Os dois jogaram conversa fora enquanto comiam.
"Você me lembra muito de um amigo que eu tinha na adolescência." Andrew jogou no ar.

"Quem?" Emma perguntou curiosa. Ela estava sentada ao lado do Andrew no sofá, com as pernas estendidas em cima dele.

"Você quer saber o nome dele? Isaac." Andrew sabia que Emma ficaria na mesma com a menção do nome do amigo.

"E por que eu lembro a esse seu amigo?" Emma perguntou desconfiada.

"Porque ele também era meio alternativo e gostava de usar essas roupas com homens de banda. Só que ele não gostava de quando olhavam pra cara dele. Ele usava o cabelo grande e colocava pra frente pra esconder o rosto." Andrew explicou bem humorado.

"Eu tinha que lembrar a um amigo estranho seu." Emma reclamou. "Mas agora ta explicado sua adoração por mim... Você se lembra desse seu tal amigo. Aposto que você ficava intrigado do porquê um homem com um rosto tão bonito tentava se esconder por detrás do cabelo." Disse Emma entrando no clima de provocação do Andrew.
"Realmente, aquilo era um grande enigma pra mim." Andrew riu.

Emma sentou no colo de Andrew de frente a ele.

"Você pode me beijar e fingir que eu sou ele." Emma sugeriu aproximando o rosto no dele, se contendo pra não rir.

"Ta bom Emma você ganhou. Conseguiu deixar tudo bizarro." Andrew ainda assim colocou a mão na cintura da garota e apertou.

Emma gargalhou.  "Você que começou." Ela se defendeu e depois começou a beijar a nuca dele.

Uma das primeiras coisas que Andrew fez enquanto pegava a Emma, foi tirar a blusa dela. "Eu não tava aguentando mais o Eddie Van Halen me encarando." Justificou Andrew,  dando um sorriso de canto satisfeito em ver a Emma já de sutiã.

Emma balançou a cabeça com um sorriso no rosto, fingindo reprovação.

"Sei." Emma acariciou o rosto de Andrew só porque ele tava muito bonito com aquele ar pretensioso e também porque ela gostava de senti-lo sob seu toque. "Sorte sua que eu também to impaciente." E com isso lá se foi o sutiã da Emma pro chão da sala do professor.


domingo, 13 de janeiro de 2019

Opiniões sobre os cavalos

Jessica foi se encontrar com as amigas na sexta a noite num pub da zona sul. Suas amigas eram Suellen, Mirian, Gisele e Regina.

(A gente cortou as partes inúteis em que elas falavam de coisas que não nos interessam. De nada!)

"Como você deixou aquele gato de homem passar?" Gisele perguntou atordoada.

"Porque ela prefere ficar sofrendo pelo ex-marido que já seguiu em frente há muito tempo." Mirian estalou os dedos enfatizando o muito tempo.

"Não é verdade suas faladeiras! Eu só não tenho interesse em me casar de novo. E eu também não sirvo muito pra ser esposa." Jessica retrucou.

"Falou a mulher que foi casada por anos." Regina debochou.

"E todas sabem como acabou... E sei lá, eu sempre vi casamento como algo único..." Jessica viu a cara que Suellen estava fazendo pra ela. "Vai pra m***." Jessica disse a amiga.

"Também te amo Jessica." Suellen jogou um beijo no ar e as outras riram.

"Conta como ela é!" Mirian disse animada.

"Quem?" Jessica perguntou confusa
.
"A namorada do seu ex!" Gisele completou.

"Ah. Ela é... irritantemente bonita." Jessica falou honestamente.

"Sério?" Regina deu seu melhor olhar compassivo.

"É. Ela parece que saiu direto de uma revista!" Jessica disse incrédula.

"Não creio! Odeio essas mulheres lindas, magras e ricas." Mirian disse tomando um gole da sua bebida.

"Né? E ainda por cima é adorável e educada." Jessica completou.

"Lixoo!" Suellen gritou e Jessica riu.

"E quantos anos ela tem?" Mirian perguntou.

"Não sei. Ela parece ser bem nova. Acho que provavelmente uns dez anos mais nova que ele." Jessica deduziu.

"Dez anos?" Regina olhou pasma.

"Bradley não é bobo não. Fisgou logo uma novinha." Gisele comentou.

"Agora vamos parar de falar nele." Jessica disse de repente desconfortável com o assunto.


--*--*--*--*--*

"Então eu acho que você deveria dar mais uma chance pro Júlio. Ele era uma gostosura." Gisele falou.

"Não acho que ele está mais interessado em mim." Jessica mexeu o copo em cima da mesa.

"Porque você acha isso?" Gisele perguntou intrigada.

"Porque ele não deu mais sinal de vida depois que eu neguei o pedido de casamento."

"Ele tinha que ter respeitado sua decisão." Suellen disse indignada.

"Ele disse que eu só não aceitei casar com ele porque eu ainda gosto do Bradley, o que é ridículo."

"Mas Jess, ele meio que tem razão." Mirian falou cautelosamente.

"Enfim, eu acho que eu fico melhor sozinha mesmo." Jessica resolveu ignorar as palavras de Mirian porém não conseguiu esconder a tristeza na voz.

"Aawn Jess! Você não ta sozinha." Suellen abraçou sua melhor amiga.

Elas continuaram a jogar conversa fora e depois começaram a falar dos filhos.

"E a Emma e o Brian como estão?" Mirian perguntou já que ela era a única que não estava contando histórias sobre crianças.

"Humm?" Jessica perguntou distraída. Sempre que as amigas falavam das crianças delas, ela imaginava como seria sua vida com crianças. Eram sempre cenários super-idealizados estilo filmes hollywoodianos.

"Como vai a Emma e o Brian?" Mirian repetiu.

"Vão bem." Jessica queria elaborar mas não sabia mais o que falar.

"A Emma ta namorando né?" Mirian continuou.

"Ela ta com um menino da escola dela." Ela disse sem entusiasmo.

"Dá pra ver que você não gosta dele." Mirian continuou.

"Não é que eu não goste dele. É que eu odeio a sensação de impotência. Eu não sei o que os dois fazem quando estão juntos e sempre que a minha cabeça pensa nisso eu fico meio neurótica." Jessica desabafou.



"Acho que é melhor você não pensar nisso." Regina sugeriu.

"Eu sei mas é difícil. Pra mim a Emma ainda é o mesmo bebezinho que chorava toda vez que a gente tentava apagar a luz do quarto. E é estranho porque todo mundo olha pra ela como se ela tivesse idade pra decidir sobre essas coisas." Jessica admitiu.

"Quando uma adolescente de 15 anos sabe o que é melhor pra si? O meu nem tem maturidade suficiente pra decidir o que vai jantar quanto mais sobre outras coisas mais sérias." Regina falou.

"Concordo. Eu tentei falar com a mãe do menino e ela se lixou pro que eu tava falando. Simplesmente jogou a responsabilidade toda pra os dois. Quem faz isso? Aí depois o garoto foi na minha casa e disse que não faria nada com a Emma, só que eu acho difícil de acreditar." Jessica explicou.

"Os hormônios nessa idade são difíceis de controlar mesmo. Falo isso porque eu perdi meu V card com 13." Regina tentando fazer graça.

"No carro do seu pai. Todo mundo sabe dessa história." Gisele disse a amiga e ela ganhou um tapinha na perna.

"A Jessica tem cara de santinha mas também só pensava nisso na adolescência." Suellen revelou.
"Eu sabia!" Mirian falou animada.

"Ok, eu pensava nisso. Mas definitivamente não era o tempo todo." Jessica se defendeu rindo.

"Continua mentindo pra si mesma." Suellen falou bem-humorada.

"Adolescente é tudo igual só muda de endereço." Regina concluiu.

"Um brinde a isso." Gisele levantou o copo e todas brindaram.

"E o Brian como ta?" Mirian perguntou.

"Ótimo. Ele já ta todo espertinho. Se bobear ta sabendo de mais coisas do que eu." Jessica falou amorosamente.

"Ele é uma gracinha!" Gisele disse.

"É mesmo. Só que ele ta com uma fixação de juntar eu e o padrinho dele." Jessica revelou.

"Sério? Mas por quê?" Gisele perguntou curiosa.

"Vai saber! Só sei que ele toda hora fica me colocando em situações desconfortáveis com ele. Outro dia ele me sujou de sorvete no meio da rua pro padrinho dele ter que ajudar a me limpar." Jessica contou.

"Não creio!" Suellen bateu palmas rindo.

"Pois é! Teve um dia que ele implorou pra brincar de quem ri por último comigo e o Andrew. Só que ele riu bem no começo sem ninguém ter feito graça. Aí depois ele disse pra eu e o Andrew olharmos um pra o outro e tentar não rir. Só que eu e o Andrew sacamos que era um planinho dele pra gente ficar se olhando por um tempo. Aí eu e o Andrew forçamos o riso pra perder no jogo, só que foi na mesma hora! E no final foi ainda mais estranho que se a gente tivesse jogado o jogo direito." Jessica recordou a ocasião.

"Ele fez isso pra vocês se apaixonarem enquanto se perdiam nos olhos um do outro. Que garoto esperto!" Gisele disse impressionada.

"Esperto demais pro meu gosto." Jessica disse tomando um gole do seu drinque.

"Mas você acha ele gato?" Gisele perguntou querendo saber fofoca.

"Ele é o melhor amigo do meu ex-marido!" Jessica disse como se fosse um absurdo.
"Melhor ainda!" Regina disse atrevida.

"E você não respondeu a pergunta." Gisele protestou.

"Ta. Ele é lindo, gostoso e charmoso, satisfeita?" Jessica retrucou arqueando as sobrancelhas.

"Uii tudo isso?" Mirian respondeu animada.

"É, a namorada dele tem muita sorte." Jessica revelou acabando com a festa das amigas.

"Aposto que você é mais bonita do que ela." Suellen passou a mão no cabelo ruivo da amiga.

"Honestamente nem sei. Só conheço ela de nome." Jessica retrucou.

"E já rolou algum clima entre vocês dois?" Mirian persistiu.

"Não, nunca." Jessica negou firmemente.

"Seja sincera!" Mirian insistiu.

"Vamos parar de empurrar homem pra Jess." Suellen foi ajudar a amiga.

"Obrigada!" Jessica fez um tom de finalmente e encostou no banco
.
"Okaaay." Mirian disse com raivinha dos não me toques da amiga.

"Ela tava fazendo centenas de sexo picante com o Júlio pra pensar no amigo do ex." Gisele fez piada.

"Alguém atira logo em mim." Jessica disse extremamente envergonhada e todas riram.



segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Happy Birthday Angel!

No jantar de aniversário do Bradley, sua afilhada Emma fez uma linda homenagem ao padrinho. Vamos ver o que a ruiva disse sobre o prof gatão.

Quando a gente era criança, costumávamos receber perguntas como: O que você quer ser quando crescer? Qual é o seu super-herói favorito? Eu como uma criança séria e metida a intelectual, respondia: Meu super-herói favorito é o Capitão Átomo, é claro. E o quero ser quando crescer... Essa não era uma pergunta fácil de responder. Eu não tinha a mínima ideia do que queria fazer pro resto da vida. A única coisa que eu sabia era que seja lá o que fosse, eu queria fazer tão bem quanto o meu padrinho Bradley. Na época eu achava que ser padrinho era uma profissão como professor ou médico. Na minha cabeça de criança não havia nada que meu padrinho não pudesse fazer, ele era perfeito. Conforme fui crescendo, a magia foi desaparecendo. Eu percebi que meu padrinho é um homem cheio de defeitos como todos os outros, mas o que o diferencia dos demais é o amor, a dedicação e o carinho que ele dá a todos que estão ao seu redor. Meus pais viram isso em você também quando o escolheram para ser meu padrinho. O brilho e a áurea de quem dá seu máximo em tudo que faz.
Eu lembro do dia em que você me ensinou a andar de bicicleta. Você segurou o banco por trás e prometeu não soltar, fazendo eu instantaneamente me sentir segura em tentar algo no qual inicialmente estava aterrorizada. Eu também lembro quando você, mesmo cansado do trabalho, me contava infinitas histórias para me fazer dormir, e nós dois sabemos que não era uma tarefa fácil me fazer dormir.
E de quando eu quebrei minha perna e fiquei triste por ter que usar gesso e você fez um desenho engraçado nele que me fazia rir toda vez que eu olhava.
Ou quando eu tive uma crise de pânico na rua e ninguém sabia o que fazer comigo e você se ajoelhou de frente a mim e começou a respirar e a contar comigo e pouco a pouco eu fui voltando ao normal.
E também de quando eu quis que o Barney fosse na minha festa de aniversário e você colocou uma fantasia quente do Barney no calor infernal e começou a entreter eu e os meus amigos. Eu sabia que era você e não o Barney dançando e brincando com a gente, e de alguma forma, achei que foi ainda mais legal.
Você sempre foi a minha inspiração, a minha rocha e o meu melhor amigo.
Feliz aniversário dindo!

Nem precisamos dizer que o prof ficou todo emocionado e chorou rios de lágrimas com a homenagem da Emma.
E aqui fica os parabéns do blog para você também 🎉

domingo, 6 de janeiro de 2019

Reunião digressiva

Elizabeth havia chegado naquela reunião como uma família. Bradley, Brian e ela. Aquela não era sua família, mas todos os olhavam como se fosse, então ela agia como se fosse. 
Ela olhou ao redor discretamente. Nenhum sinal de Will. Isso era bom. Talvez ele tenha criado algum juízo nestes últimos dias e tenha decidido não aparecer. Elizabeth ficou mais tranquila. Fazia muito tempo que os dois não se viam e ela queria evitar uma torta de climão. Ela também sabia que Bradley estaria de olho em tudo e queria evitar ao máximo desconfianças infundadas do namorado.
De repente soaram em sua mente palavras ditas pela diretora depois do último desentendimento que teve com Bradley. "Você deve ficar com alguém que traga a melhor versão de você mesma". Definitivamente Elizabeth odiava a versão dela com Bradley. Ela se sentia pesada, ciumenta, rancorosa e velha. Ela que sempre costumava ouvir que era como "uma bela manhã ensolarada, sempre de bom-humor" (palavras ditas por certo professor de Psicologia, na época de diretor), agora estava sempre amarga. Só que essa amargura não era culpa do Bradley e sim dela mesma. Antes de estar com ele, ela já se encontrava neste estado. 
Tudo isso passava pela mente de Elizabeth ao mesmo tempo que ela conversava com as pessoas ao seu redor. De repente sua linha de raciocínio e de conversa foi interrompida por uma velha silhueta conhecida passando pelos fundos. Aquela silhueta que representava a pessoa que já tinha visto seu melhor e seu pior. Aquele com quem ela dividiu anos e anos de sua vida. Rapidamente, Elizabeth se recompôs e voltou sua atenção ao seu interlocutor como se nada tivesse acontecido. Mas havia acontecido. Ele estava lá e não tinha como evitá-lo. Mais cedo ou mais tarde ela teria que falar com ele. Mas quando exatamente? O que falar? Elizabeth resolveu não pensar muito naquilo, que já estava resultando em uma dor de cabeça, e forcar 100% na conversa que estava travando com... Isso! Com Chris.
Eis que passado um tempo, Elizabeth foi pegar um pouco de comida no buffet e viu Will lá pegando o que parecia ser cebolas empanadas. Ela pensou em recuar, mas desistiu, pois viu ali uma boa oportunidade de se livrar logo do fardo "Preciso falar com o Will". Ela foi até a parte da banana frita, que ficava perto das cebolas e disse olhando para as bananas:
- Oi, Will! Tudo bom?
William levantou a cabeça e ficou surpreso ao ver Elizabeth. Ele disse soando surpreendido, sem saber o que fazer:
- Tudo bem e você?
- Bem. - Ela abriu um sorriso forçado, primeiramente olhando para as bananas e depois para ele. 
Will estava raciocinando o que ia falar, ainda surpreendido com a presença repentina de Elizabeth, quando do nada ela saiu, indo para o outro lado do salão que tinha a parte das carnes. 
Elizabeth saiu de lá com o seu prato aliviada. "Me livrei", ela pensou. Mas será que ela soou meio rude por ter saído sem ao menos dizer um tchau? "Ah, f*da-se!", ponderou ela resoluta a não pensar mais no assunto.
E era isso mesmo que ela faria se não tivesse furtivamente olhado para William algumas vezes durante aquela noite e percebido que ninguém estava indo falar com ele. "Mas que p**ra é essa? Por que ninguém foi falar com ele?" Ela não entendeu! Will havia trabalhado durante muitos anos no Cavalinho Feliz. Era um bom inspetor e amigo. Por que ninguém estava falando com ele? "Será que as pessoas acham que eu ficaria com raiva se elas falassem com ele?", se perguntou Lizzie. "Mas eu não proibi ninguém de nada! Por que o povo ta fazendo isso?" Enquanto pensava nisso, ela conversava ao mesmo tempo com Andrew e emprestava seu celular a Brian e Crystall. "Por que você não fala com ele?", se indagou mentalmente Elizabeth para Andrew julgadoramente. Ela, então, pensava nas pessoas que estavam lá e se perguntava a mesma coisa irritada. Novamente seus pensamentos foram despertos por Andrew xingando ao ver Brian usando seu celular numa ligação. No começo ela não deu muita bola até perceber que seu celular também estava com as crianças. "M*rda!", pensou ela que foi até onde estava as crianças para pegar seu telefone.
Elizabeth checou seu celular e ao perceber que aparentemente ele não havia sido bisbilhotado pelas crianças, voltou aos seus pensamentos anteriores, porém ao olhar furtivamente para Will, dessa vez o viu com Letícia e Cobie. "Graças a Deus!", relaxou Elizabeth, aliviada. "Agora fiquem aí! Não façam visita de médico igual o Carlisle". Finalmente, Lizzie pode se despreocupar com isso e realmente focar na reunião e nas pessoas. Estava tudo bem chato, mas ela estava tranquila.
O fim da festa chegou e ela saiu com Bradley e Brian. Ela não se despediu de Will e nem pensou no porquê dela ter pensado nele durante boa parte do evento. Não, essas digressões só foram feitas durante a noite, antes de dormir.