sábado, 16 de maio de 2020

Impactos

Sábado: 18 h 00 min.

Emma estava em seu quarto se arrumando. Ela havia marcado de encontrar Asa, para irem juntos à montanha-russa considerada uma das mais assustadoras do mundo.


A ruiva estava folheando seu exemplar semanal da revista mundo nerd e BAM, lá estava ela, a temida Trilhos da Vingança fazendo uma visita ilustre à Cidade Maravilhosa, apenas naquela semana.

A ruiva deu uma última olhada no espelho. Ela estava com sua camisa preta do Deep Purple e seu short jeans claro rasgado. Ela bagunçou um pouco o cabelo com a mão para dar um pouco mais de volume. Depois do último check-up, ela deu um beijo na madrinha e foi até o ponto de encontro que havia marcado com Asa.

Sábado: 18 h 45 min

Os dois caminharam juntos até chegarem no local da atração. Asa e Emma ficaram boquiabertos com o tamanho da fila.
Ela era quilométrica, indicando que gastariam no mínimo três horas ali. Contudo, apesar da fila gigantesca, o lugar estava muito animado, com música alta tocando, e vendedores ambulantes passando pra lá e pra cá.

"Vocês são os últimos da fila?" Emma perguntou para um casal que estava na frente deles.

"Somos. Chegamos quase agora também." Um garoto de cabelo preto espetado, aparentando uns 17 respondeu para a ruiva.

"E não vamos sair tão cedo! A gente achou que hoje estaria menos cheio que ontem, mas pelo visto, nos enganamos!" O garoto de franja disse extravagantemente.

"Esse povo deve ter acampado aqui, ela acabou de abrir!" Emma ainda não acreditava no tamanho daquela fila.

"Pode crer, menina! Tem gente que chegou com horas de antecedência." O moleque de cabelo espetado falou.

"Mas não faz sentido." Asa falou mais para ele do que para os outros.



"O que não faz sentido?" O garoto de cabelo espetado perguntou, finalmente notando a presença do britânico.

"Chegar mais cedo pra não enfrentar fila. Eles acabaram esperarando da mesma forma que a gente." Asa explicou.

"Ah, mas nem todo o mundo vai conseguir andar na trilhos hoje. Ela fecha meia-noite." O garoto de franja informou.

"Do jeito que tá, talvez nem a gente consiga." Emma já estava querendo ir embora. Ela nem queria andar tanto assim naquele brinquedo.

"Vira essa boca pra lá! Vai dar sim! Fingers crossed." O garoto de franja cruzou os dedos enfaticamente.

Emma assentiu. "A propósito, eu sou Emma e ele é o Asa."

"Asa?" O garoto de cabelo espetado riu.

"Ele não é daqui, ele é inglês." Emma explicou.

"Aaah que chique! Nunca vi um inglês pessoalmente antes!" O garoto de cabelo espetado sorriu animado. "Meu nome é Eric e ele é Diego, meu namorado."

"Prazer." Emma sorriu educadamente.

"Vocês são irmãos?" Diego perguntou apontando para Emma e Asa.

"Quase." A ruiva respondeu, ganhando um olhar de reprovação do britânico. "Mas se vocês virem a gente se beijando, não se espantem." Brincou, a ruiva.

"Ui, adoro!" Exclamou, Eric.

Sábado:  19 h 35 min

"Que foi Asa?"

Diego e Eric tinham saído da fila para comprar cachorro-quente, permitindo finalmente, a ruiva de dar atenção ao Asa.

"Que foi o quê?" O menino se fez de desentendido.

Emma se aproximou do menino e colocou os braços em volta do pescoço dele.

"Você ta muito quieto."

"Eu sou quieto" Asa se defendeu, colocando os braços em volta da menina, em retorno.

"Sim, mas você ta mais quieto do que o normal." A ruiva rebateu.



"Nada. Eu só..." Ele olhou para os lados procurando a melhor forma de dizer aquilo. "Eu só achei que não teria que te dividir com ninguém hoje."

Emma mordeu o lábio para tentar conter inutilmente o sorriso que se formava.

"Eu sou toda sua agora." Ela falou como se tivesse contando um segredo.

Asa pegou a deixa e colou seus lábios nos da ruiva, dando o beijo que os dois estavam ansiando.

Sábado:  20 h 00 min

Asa e Emma continuavam se beijando até o beijo virar pequenos selinhos um no outro, demonstrando seu fim, porém logo Asa reivindicou a boca da ruiva enfiando a língua dentro dela de novo.

Quando a fila voltou a andar, eles se separaram.

"Até que ta andando rápido." Asa comentou.

"Espero que a gente consiga ir antes das dez." Emma fez um coque mal feito no cabelo. "Sua mãe vai brigar se você chegar tarde né?"

Asa deu de ombros. "Um pouco."

Emma riu da calma de Asa. "A minha dinda vai me matar porque eu tenho que acordar cedo amanhã."

"Mas amanhã é domingo." Asa colocou as mãos no bolso.

"E eu tenho igreja cedo. Tá que não é cedo tipo escola, mas é cedo o suficiente pra eu precisar ser escoltada pra fora da cama." A ruiva tirou o celular do bolso de trás e digitou alguma mensagem a alguém. "Sábado é o único dia da semana que eu posso acordar depois das 10h."

"Deve ser chato isso." Asa queria ter um comentário melhor para fazer, mas ele não era lá muito bom em conversas.

"Podia ser pior, a gente podia ter aula sábado. Eu lembro quando meu dindo quis implantar isso na escola."

"E por que ele não implantou?"

"Porque uma pessoa muito convincente conseguiu persuadir ele em desistir. Dizem que ela costuma enfrentar filas gigantescas com um garoto extremamente tímido, mas que beija muito bem." Emma piscou pra ele e Asa ficou congelado sem saber como reagir.
"Viu o que eu disse!" A ruiva riu. "Mas eu gosto da sua timidez. Eu não mudaria isso em você."

Asa disfarçou o sorriso que tentava se formar em seu rosto.

"Me lembra meu irmão. Ele também é assim. Apesar de depois dele ter entrado na nossa escola, ele ta mais falante. Eu acho que ele gosta da Ariana."

Asa estava impressionado com a capacidade da ruiva de mudar de assunto.

"Ela não tem namorado?"

"Eu também tenho e aqui estamos." Emma brincou, porém o pequeno inglês não recebeu tão bem a brincadeira.

"Ah." Ele murmurou sem humor.

"Ei." Emma se aproximou do menino. "Eu tava brincando." Ela colocou o dedo na presilha da calça dele (que prende o cinto). "Eu não sou muito boa em perceber quando to cruzando uma linha que eu não deveria. Desculpa."

"Não precisa. Eu não fiquei ofendido."

"Bom. Porque não é qualquer um que eu chamo pra ficar horas na fila comigo só pra uma coisa que dura no máximo cinco minutos."

"Quatro."

"Quatro o quê?" A ruiva perguntou confusa.

"O percurso da montanha-russa dura quatro minutos, não cinco. Mais especificamente, três minutos e cinquenta e seis segundos." Asa informou, achando graça da cara que ela estava fazendo para ele.

"Você cronometrou?" Emma o olhou incrédula.

"Foi." Asa levou a mão ao bolso detrás. "Mas você também pode encontrar essa informação no panfleto." Ele entregou o exemplar para a menina.

Emma observou o anúncio da montanha-russa, que constava a informação dita por Asa, logo abaixo da foto da Trilhos da Vingança.

"Palhaço." Ela amassou o papel e colocou no bolso detrás do Asa.




Sábado:  21 h 00 min

"Eu não sei porque... Ela queria até ir pra Inglaterra visitar o túmulo da Eleanor Rigby. Os beatles tem tanta música melhor que essa." Emma colocou mais um punhado de pipoca na boca.

"Acho que sua madrinha deve se identificar com ela." Asa chutou. Ele também não conseguia entender o sucesso da música.

"Eu também acho! Sabia que um dia ela chamou nosso reverendo de father Mackenzie? Aí eu disse: Eleanor?" Emma zoou.

Asa riu. As piadas da Emma eram tão previsíveis, mas ele não conseguia deixar de achar graça nelas

Emma virou o saquinho de pipoca na boca pra terminar de comer o resto, sujando o rosto de migalhas e sal. Ela então, passou o braço para se limpar.

"Ainda ta sujo." Asa segurou o rosto dela e o limpou com as costas da mão.

"Obrigada. Eu não deveria ter virado de uma vez só, o final tava sal puro." Emma reclamou enquanto o garoto ainda tocava no seu rosto.

Asa não prestou atenção no que a ruiva dissera. Ele estava impressionado em como eles estavam tão próximos agora, que ele se sentia mais confortável em tocá-la assim. Emma parecia também interagir com ele sem ressalvas.

Ele subiu o olhar para os olhos da ruiva, e ela o observava esperando o próximo movimento dele.



Asa então aproximou o rosto do dela e a beijou. Emma realmente estava com um gosto bem salgado, mas isso não chegou a incomodar. A ruiva agarrou a nuca do garoto e o trouxe para mais perto, Asa abraçou sua cintura enquanto explorava a boca da menina.

Sábado - 22:30

"Seus olhos são tão azuis que parece até que ta com filtro do Instagram." Eric disse admirado para o menino.

Emma tinha saído para ir ao banheiro e aparentemente tinha se deparado com outra fila.

"Obrigado" Asa respondeu sem graça.

"Você faria o maior sucesso lá na rave." Eric continuou.

"Ele é muito novo, Eric!" Diego interviu, enciumado.

"Só se for de RG porque do jeito que ele tava pegando a nossa amiga...Me deu até um frio na pitanga!" Eric se tremeu teatralmente.

Asa tava doido para aqueles dois calarem a boca. Emma tinha que ter puxado assunto com eles!

"ADORO!" Diego bateu palmas.

Asa viu Emma chegando e respirou aliviado.

"Várias pessoas tão vomitando perto da saída." Emma revelou.

Asa pensou na nojeira que devia ta aquilo. Se não fosse pela ruiva, ele nunca iria para um programa daqueles.

"Tem um banco aqui perto, você pode ir pra lá e sentar um pouco. Você deve ta cansado." Emma disse preocupada.

"Não precisa, eu to bem." Asa mentiu, na verdade ele tava acabado.

"Tem certeza? Não quer ficar nem uns 15 minutos ali? Depois você volta." Emma tentou persuadi-lo.

"Vão os dois! A gente guarda o lugar de vocês!" Diego ofereceu.

"Sim, vocês guardaram os nossos também nas nossas saidinhas" Eric riu.

"Vamos então?" Emma perguntou para Asa e ele assentiu.

Os dois caminharam até um banco situado ao lado de uma árvore, que já estava ocupado por algumas pessoas. Asa se sentou e Emma se espremeu ao seu lado.

O britânico tentou resistir à vontade de colocar seu braço em volta da garota. Porém, eles já tinham passado por tanta coisa naquela noite, que ele esperava que a ruiva não se importasse com o aquele gesto, então, assim o fez.

Emma aninhou sua cabeça no seu pescoço, inalando o cheiro suave de Asa.

Run to the Hills do Iron Maiden terminou de tocar e começou Northern Downpour do Panic! At the Disco.

"Eu adoro essa música!" Emma começou a cantarolar no pescoço dele, fazendo um pouco de cosquinha nele.

"Não sabia que você gostava de música de emo." Asa brincou e Emma deu sua famosa risada rouca.

"Eu já fui muito emo." A ruiva revelou, pegando Asa de surpresa.



"Sério?"

"Não foi uma das minhas melhores épocas. Fico com urticaria só de lembrar da piadinha da Emma é emmo." A ruiva contou de forma descontraída e Asa amou o pequeno momento dos dois.

Sábado: 23 h 25 min

Faltava muito pouco para chegar a vez dos dois. A verdade era que quanto mais a vez deles se aproximava, mais a ruiva queria dar pra trás. A montanha-russa parecia infinitamente maior mais próximo da entrada.

"Será que alguém já morreu andando nela?" Emma perguntou como quem não queria nada.

"Agora que você me faz essa pergunta?" Asa riu.

"Eu só fiquei curiosa. Deixa eu pesquisar aqui se alguém já morreu na montanha-russa." Emma pegou o celular e abriu o Google.

"Honestamente, depois do tempo que eu gastei aqui, eu andaria nela mesmo que mil pessoais tenham morrido."

"Aqui!" Emma mostrou o visor do celular para o Asa.

"Um de milhares de pessoas. A estatística diria que ninguém morreu." Asa racionalizou.

"Diz isso pra família do Stanley." Emma guardou o celular.

"Se você tiver com medo a gente pode não ir..." Asa sabia que sempre que a menina se sentia desafiada, ela fazia qualquer coisa mesmo tendo medo. Ele lembrou de quando os dois apostaram jogar o jogo do copo.

"Eu não to com medo! Eu só fiquei com pena do moço."

"Sei."

Emma colocou os braços em volta da nuca de Asa.

"Você quando quer ser chato," Ela encostou a em seu boca no ouvido, "supera o nosso amigo Diego." Ela sussurrou.

"Achei que você tinha gostado deles." Asa cochichou de volta, automaticamente, abraçando ela de volta.

"No começo, depois de cinco horas juntos, eu vi que eles são meio enjoados." Emma admitiu.

"Só depois das cinco horas? Eu percebi isso no primeiro minuto!"

Emma riu da honestidade brutal do menino.

"Eu sou meio lenta pra perceber essas coisas."

"Percebi." Asa brincou.

Emma riu e depois se desvencilhou do garoto, ficando a alguns passos de segurança dele.

Sábado: 23 h 40 min

No final das contas, a montanha-russa não era lá tão radical assim, o que foi perfeito para a ruiva, que estava morrendo de medo do banco soltar igual ao pobre Stanley. Eles passaram a maior parte do percurso de volta até a casa do Asa discutindo quem tava com mais medo, falando mal dos gays e zoando as pessoas bizarras da fila.

"Entregue." Emma anunciou quando eles chegaram em frente à casa do menino.

Asa não gostou de como a Emma fez parecer que ele era uma criança que precisava ser acompanhado até em casa e ser entregue, apesar de ter sido literalmente o que ela fez.

"Obrigado." Todo o pudor que ele tinha conseguido perder na fila da montanha-russa, voltara de uma só vez, assim que ela disse a palavra 'entregue'.

"Não foi nada." Emma colocou a mão no bolso detrás. "Obrigada por ter me feito companhia hoje... Eu gostei muito."



"Eu também." Asa concordou ainda mais desconfortável por sentir o desconforto da menina.

"A gente se vê então." Emma falou depois de alguns segundos de silêncio constrangedor.

"Ok." Asa retrucou.

"Então... tchau." Emma se aproximou para dar o cumprimento de praxe dos cariocas, caracterizado pelos dois beijinhos no rosto. Assim que deu, ela percebeu que tinha acabado de deixar tudo ainda mais awkward. Entretanto, para a sua surpresa, assim que ela se afastou do segundo beijo, Asa segurou seu pulso e a manteve no lugar. Em seguida, ele colou seus lábios nos dela.

Ele abriu os olhos para observar sua reação e ao perceber que não havia nenhuma rejeição por parte da ruiva, ele segurou seu rosto, inclinou a cabeça e tornou a beijá-la.



A menina correspondeu o beijo com a mesma intensidade que lhe foi dado. Uma mão da menina estava na cintura do garoto e a outra estava com os dedos enterrados no cabelo do garoto, ora acariciando, ora puxando.

De repente, um barulho na porta fez os dois pularem para trás assustados.

"Asa, entra." Antonella ordenou séria.

O menino não reagiu, pois estava perplexo demais para isso. Ele só ficou encarando a mãe com os olhos arregalados.

"Agora!" Antonella berrou, acordando o menino do transe.

"Tchau." Asa disse para a Emma e entrou em casa.

Emma engoliu em seco. "Eu já tava indo... Boa noite." Emma se virou e saiu.

A menina chegou em casa tarde da noite. Ela mentiu para a madrinha que a mãe de uma amiga tinha levado-a para casa, já que ela mesma, não podia andar sozinha naquele horário.

Emma então, correu para o quarto e ficou repassando a noite inteira em sua mente confusa. Em seguida, ela foi tomar um banho para ir dormir.

No banheiro, seus olhos se arregalaram ao terminar de se despir.

"M***a!" Xingou a menina, segurando a calcinha encharcada na mão.



domingo, 26 de abril de 2020

Amor de mãe


Chris sabia que Samantha estava no seu direito, mas ele não gostava do como ela se expressava. Para falar a verdade, até ele tinha ficado um pouco desconfortável, mas o que fazer se o filho via Sam como sua figura materna e teimava em chamá-la de mãe? Precisava sentar com ele e dizer que ela não era sua mãe repetidas vezes? Aquilo devia deixar o menino confuso, uma vez que todos naquela família podiam se dirigir a ela daquela maneira, menos ele. Isso fez com que Enzo começasse a esboçar um semblante triste, provavelmente por se sentir excluído e rejeitado. Logo o seu raio de sol, que antes sempre estava sorridente, mas que agora ficava cabisbaixo, principalmente quando via Samantha. Chris nunca se imaginou amando tanto dois seres humanos. Ele nunca quis ser pai, mas o destino assim o fez e agora ele se sentia tão realizado. Samantha havia tentado explicar inúmeras vezes para o pequeno que a mãe do menino era Emily, mas ele não parecia entender. Essa informação já seria confusa para uma criança normal, imagina para um garoto com síndrome de down?! "A Emily ficaria mal se soubesse que ele me considera mãe e não ela. Eu fiz o certo! Tem que explicar a ele a verdade, afinal ele tem mãe!" Chris sabia disso, porém por que não deixar Enzo chamar Samantha e Emily de mãe? Corrigí-lo parecia muito cruel. Naturalmente, o menino considerava Emily mais uma espécie de prima, do que uma mãe. A própria garota parecia não fazer muita questão do reconhecimento que era seu por direito. Só teve uma vez que........................ Bem, melhor deixar essa anedota para outra ocasião. O importante é que Em não era uma boa mãe, no geral, o que deixava Enzo só com o pai, que se desdobrava ao máximo para compensar a falta da figura materna. Samantha tampouco expressava uma espécie de carinho em relação ao filho de Chris, o que era frustrante para os dois. Esse era outro ponto que ele não se sentia muito no direito de cobrar da mulher, já que nem com os filhos biológicos ela era muito carinhosa. O professor teve sua linha de raciocínio bruscamente cortada ao terminar de estacionar o carro na garagem da escola e avistar seu amigo Tom chegando.
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Samantha acordou sobressaltada. Ela olhou para o lado e viu Chris dormindo tranquilamente ao seu lado. Tentando não fazer barulho, ela foi rapidamente até o quarto de Enzo para ver se o garoto estava bem. Ele já estava gripado há 3 dias e não tinha apresentado melhora. O médico, segundo o professor de Educação Física, disse que não havia com o que se preocupar, era só tomar os remédios receitados que o menino logo, logo, melhoraria. Entretanto, Sam não conseguiu ficar tranquila ao ver o garoto tão abatido e dormiu pensando nisso. Assim que ela entrou no quarto dele, ouvi seu ronco. Provavelmente, o nariz estava entupido, o fazendo respirar pela boca. Ela chegou perto da cama e aproximou o dedo do nariz de Enzo, confirmando suas suspeitas. Samantha ficou tão agoniada vendo a cara de desconforto do filho de Chris, que decidiu acordá-lo para que ele fizesse nebulização. Os pequenos olhos cansados do menino abriram e olharam a mulher. Ele não falou nada. Ela colocou a máscara nele e o posicionou em seu colo. Ele continuava olhando para ela, que retribuía o olhar séria. A empresária, enfim, perguntou baixinho: "Você está bem?", mas ele só continuou olhando para ela com uma cara bem cansada, de quem não tinha quase dormido. Samantha se arrependeu de tê-lo acordado, por imaginar que ele havia demorado a pegar no sono, então começou a balançá-lo clamamente para ver se seus olhinhos se fechavam novamente. Ela tocou em seu coração e percebeu que ele estava bem acelerado. A nebulização, naturalmente, já acelerava os batimentos. Talvez isso não fosse bom para um menino com síndrome de down, logo com possível pré-disposição a problemas cardíacos. "Esse médico deve ser um louco! Como ele falou para o Christopher que o Enzo pode fazer nebulização?", pensou Sam. Já sem confiar em nenhuma palavra que o doutor havia dito, a mãe de Jane, Jamie e Joane decidiu levá-lo ao hospital. Ela trocou de roupa rapidamente, fez um coque e saiu, deixando um bilhete para Chris, caso ele acordasse e procurasse o garoto.
Chegando no hospital, descobriu que a gripe de Enzo havia evoluído para uma pneumonia e que ele precisaria ficar internado. Samantha, depois de muito pensar, decidiu não ligar para Chris no momento, já que o marido aparentava cansaço, devido ao trabalho e às obrigações em casa. Ligaria de manhã, se o menino ainda não tivesse sido liberado.
Samantha ficou ao lado de Enzo, que dormia, segurando sua mão a noite inteira. De vez em quando, ele abria os olhos e a encontrava o encarando. Ela sorria para ele e fazia carinho no seu cabelo. Ele, então, fechava os olhos e voltava a dormir. Com o dia quase nascendo, retiraram a máscara do garoto, que antes respirava com a ajuda de um respirador. Ele parecia bem melhor. Dessa vez, sorria de volta para Samantha, quando ela sorria para ele. A médica passou uma série de antibióticos para o menino, já que ele ainda não estava curado, e alertou a ela para sempre ter cuidado com os resfriados e/ou as gripes do filho, uma vez que sua saúde era mais frágil e, portanto, mais sucetível a agravamento.
Chegando em casa, se deu conta que todos continuavam dormindo, pois era sábado e ninguém precisava acordar cedo. Sam botou o garoto na cama e disse, fazendo um pouquinho de cosquinha nele (o suficiente para fazê-lo rir, mas não perder o ar): "Você quase me deu um susto hoje, seu safadinho!". Ele riu e depois tossiu um pouquinho. "Agora trate de dormir!" Ela beijou a testa dele e esperou o garoto pegar no sono. Demorou mais do que ela estava esperando, pois ele estava muito risonho e brincalhão. Ele fechava os olhos, fingindo que estava dormindo, e de repente, abria, mostrando que estava acordado, rindo da reação de Samantha, que mostrava a língua para ele e fazia caretas. Assim que finalmente ele dormiu, ela viu as horas no relógio e percebeu que já estava na hora de trabalhar. Infelizmente, alguns sábados ela trabalhava e naquele, tinha uma reunião marcada para às 8h com um possível parceiro para os hotéis Dornan do Japão, Tunísia e Tailândia. Antes de sair, encontrou com Dora, babá de Enzo e empregada da casa. Ela contou rapidamente que o garoto estava com pneumonia e pediu para a moça avisar a Chris quando ele acordasse. Também mostrou os remédios que havia comprado e explicou o horário de cada um, pedindo para que ela entregasse a receita para o marido também. Dora assentiu e viu sua patroa sair. Assim que Samantha fechou a porta, a doméstica falou:
- Essa daí finge, mas ama que só!

domingo, 19 de abril de 2020

Hands, touching hands, reaching out, touching me, touching you

Na noite de sexta-feira, os meninos da Igreja Católica Renascer se reuniram na casa de Moisés para baterem papo e assistirem a um filme. Os oito adolescentes estavam na sala de Moisés, de modo que, Heitor, Vinícius e Amanda estavam num sofá de frente à televisão. Daniel, Ruth, Guilherme e Emma estavam no sofá ao lado. E Moisés na poltrona.
Nenhum dos pais de Moisés estavam em casa, e a sala estava cheia de caixas de pizza, pipoca e refrigerante.
O filme escolhido foi Once. Daniel apertou o play e apagou a luz. A sala ficou um breu, iluminada somente pela tv.

O filme começou e todos estavam ainda em clima de dispersão, conversando e rindo por cima das falas. Porém, eventualmente, o filme foi prendendo a atenção da galera, e já não falava-se mais, salvo para fazer comentários sobre o próprio filme.
Guilherme tentava se focar no filme, mas o cheiro característico da ruiva estava inundando suas narinas e deixando-o louco. Era uma mistura de andiroba com hortelã, que não era lá o melhor cheiro do mundo. Ele conhecia várias pessoas muito mais cheirosas, sendo a Vanessa e a Luciana, duas delas. Porém o cheiro da ruiva tinha marcado tantos momentos bons e únicos na sua vida, que só de lembrá-los, dava um aperto em seu coração.


Ele virou os olhos com cuidado para dar uma espiadinha na ruiva. E lá estava ela, olhando com atenção a tela da tv. Seus olhos, refletindo as imagens do filme, assumindo um tom acinzentado, sua pele de porcelana e seu cabelo ruivo que já estava mais para o loiro. Ela vestia uma blusa social branca, que ia de encontro ao que ela costumava a usar quando não estava com as pessoas da igreja. Lembrava-o novamente da época em que eram namorados.
Ele queria poder tocar na ruiva. Era tão estranho pensar que um dia já tivera livre acesso a ela. Agora, a interação deles se resumia a breves cumprimentos aqui e lá.

Guilherme não sabe de onde tirou tamanha coragem, mas ele pegou a mão da ruiva e entrelaçou seus dedos, lá pro meio do filme, tentando não desviar os olhos da televisão. Ele chegou a prender a respiração quando trouxe a mão da menina para si, seu coração batendo a mil por horas, e o medo da rejeição rugindo como um leão dentro de si. Ele fechou os olhos, esperando o momento que a menina ia retirar a mão da sua, porém, para sua surpresa, isso não aconteceu.


E agora estavam de mãos dadas! Ele queria gritar, seu corpo vibrava como íons na presença de uma fonte elétrica. Ele chegou a dar um pequeno aperto na mão da ruiva, só pra ter certeza de que ela estava lá. E para sua felicidade, ela estava!

Podia parecer besteira, mas naquele momento ele se sentiu completo, como se ele tivesse segurando a coisa mais preciosa do mundo. Quantas vezes ele já tinha segurado sua mão e não valorizou? Não mais.
Guilherme olhou discretamente para os lados, para ver se alguém tinha notado o que estava acontecendo, mas ninguém parecia ter percebido nada.

A mão da menina era tão delicada sob a sua. Ele girou-a e observou suas veias azuis, sob a camada quase transparente de epiderme. Ele passou o polegar docemente sobre as veias da menina, redescobrindo o corpo dela.


Guilherme estava extasiado com a submissividade da mão da menina. Ele sabia que no fundo estava sendo bobo. Ele já teve muito mais apenas do que apenas aquela parte da garota. Ele chegou a tê-la por inteiro. Porém, a abstinência dela por tanto tempo, tinha feito que qualquer acesso a mínima parte dela tivesse consequências estratosféricas nele.

Então uma coisa que ele não esperava, aconteceu. Na cena que Glen e Markéta cantam falling slowly, por trás do piano, Emma chorou. Ela usou a mão livre para secar as lágrimas. Guilherme já tinha visto Emma chorando em outros filmes antes, mas não numa cena como aquela, puramente romântica.
Ele se perguntou o que estava se passando no coração da menina. Estaria ela bem? Estariam ela e o Channing bem?


Guilherme resistiu ao impulso de puxá-la inteira para si e de abraçá-la. Ele se reteve em apenas acariciar a sua mão, repetidamente.

Quando o choro da ruiva cessou, ela se virou  pra ele e deu um pequeno sorriso reconfortante.

No momento que o filme acabou, e os créditos finais começaram a rolar, Emma recolheu sua mão.

No final, Guilherme ofereceu levá-la para casa, mas a mesma disse que sua madrinha já estava indo buscá-la.

Então ele voltou para casa com Ruth, que tinha pedido para que ele a acompanhasse.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Fofocalizando

Channing, Jamie, Jake, Aaron e Dexter estavam numa hamburgueria, comendo e conversando sobre a vida, até que o assunto virou mulheres. Jamie perguntou curioso para Channing:

Jamie: A Emma é boa de cama? - Os garotos riram da pergunta inusitada, já sabendo que o clima do papo começaria a mudar. Jamie, no entanto, resolveu se explicar melhor, ao ver a reação de risada dos amigos - Eu to perguntando, porque ela é tão... Sei lá. Ela, apesar de falar coisas meio ousadas, até meio absurdas, parece tão santinha.

Channing: Cara, eu acho ela boa sim. Eu gosto do jeito que ela faz, a intensidade, sabe?

Dexter: Ela deve ser bem hiperativa então. Tem cara!

Channing: Não, não é isso. Eu não sei explicar muito bem... Não é que ela seja safadona igual uma ousada, por exemplo, mas eu gosto do jeito que ela usa a boca.

Coral dos meninos: Hmmmmmmmmmmm...

Jamie: Essa é uma boa qualidade! - Ele bateu nas costas de Channing, que ficou um pouco sem graça, por incrível que pareça.

Aaron: Mas ela é melhor que a Scarlett?


Channing: Cara, eu não sei. As duas são diferentes. Eu curto o jeito das duas. Não acho que tem uma melhor. Eu conto mais individualmente, tipo, tem vezes com a Emma que são incríveis. Tiveram vezes com a Scarlett também.
Mas cara, por que vocês só pensam na Scarlett quando falam de mim? Eu já peguei outras mulheres.

Aaron: Scarlett te marcou. Mais do que a Emma até.

Channing: Eu não acho, mas tudo bem. Agora, mudando de assunto e continuando no mesmo, eu tenho a mesma dúvida em relação à Jane, porque ela parece tão boba e ela é tão pequena...

Aaron: Cheryl já provou que tamanho não significa nada.

Jake: A Jane, com todo o respeito Jamie...

Jamie: Sem problemas!

Jake: Jane não é nem um pouco boba quando se trata de sexo. Eu diria que ela é um demônio na cama. A desvantagem disso, é que ela é insaciável, o que me deixa muito cansado.

Aaron: Leva ela para uma casa de swing, que aí ela cansa.

Jake: Acho que só assim, parceiro.

Channing de boca cheia: E quem é melhor? - Ele parou e engoliu o pedaço de hambúrguer que estava mastigando - Jane ou Megan?

Jake riu de canto: Caral**, a última vez que eu peguei a Megan faz anos. Eu nem me lembro direito!

Aaron: Tem que ser então Jane e Natalie!

Jake bebeu um gole do seu chopp e falou tranquilo: Eu nunca dormi com a Natalie.

Dexter: Ah, você ta brincando!

Jake: Não to. - Ele respondeu blazer.

Channing: E por que não rolou?


Jake: Ué, porque não. - Ele bebeu outro gole de chopp e continuou - Eu nem beijei ela direito, quem dirá transar. Não sei da onde todo mundo tirou que eu sou ou fui muito apaixonado pela Natalie. Até a própria Jane meio que já teve essa neura e eu, tipo: nossa, eu nunca gostei tanto assim da Natalie. Se fosse pra ela se preocupar com alguém, a Mia faria muito mais sentido do que a Natalie.

Dexter: Cara, ta de sacanagem? Não é possível!

Jamie: Que foi?

Dexter: Eu já fui supeeeer a fim da Mia também. Acho que foi a garota que eu mais amei.

Jake: A Mia é incrível mesmo.

Channing: Vocês namoraram?

Jake: Não diria namorar, mas a gente já saiu muitas vezes. Eu gosto até de pensar que fomos exclusivos durante muito tempo.

Channing: É tipo um namoro então.


Jake: É e não é, e não é nem por causa da falta de cobrança, mas também pela falta de proximidade. Eu não podia ficar muito tempo agarrado com ela ou fazer coisas muito românticas, porque não era namoro, mas eu confesso que tentei quebrar essas regras muitas vezes e ela algumas vezes até deixava. - Ele disse um pouco sorridente, olhando para cima, de maneira pensativa.

Jamie olhava para Jake um pouco sério, mas continuava quieto.

Aaron: E você não quis pedir ela em namoro não?

Jake: Eu tentei, mas ela não quis.

Dexter: Isso é muito Mia.

Jake: Você também tentou, né?

Dexter: Tentei, mas não deu em nada também. A Mia é incrível, que mulher!


Channing: Eu acho ela estranha, porque ela pega os dois amigos do grupo dela o tempo inteiro.

Dexter: Isso é tudo mito. Pra ser sincero, eu nem sei se ela já pegou aqueles dois alguma vez. Pode ser que sim, mas pode ser que não. Aquele trio é tipo o trio da Jennifer. Os dois homens gostam dela, mas a recíproca não é verdadeira.

Aaron: Vai ver nem gostam...

Dexter: Se gostam agora, eu não sei, mas que já gostaram, isso eu não tenho dúvida. Ela é incrível!

Aaron: E qual foi a sua história com ela?

Dexter: Acho que a minha foi depois da do Jake...

Jake: Bem depois!


Dexter: Resumindo, viramos amigos, muito amigos, aliás. Nos beijamos, mas quando eu quis aprofundar, ela não quis.

Channing: Vocês então eram amigos com benefícios?

Dexter: Não, porque nos beijamos poucas vezes.


Channing: Já dormiram juntos?

Dexter: Não.

Jake tentou esconder o sorriso.

Channing: Você dormiu com ela, Jake?


Jake: Muitas vezes.

Dexter tentou fingir que não ficou sentido com a provocação.

Aaron: Agora até eu fiquei curioso com ela.

Dexter: Não é fácil se aproximar da Mia.

Jake: Ela é bem na dela mesmo.

Daniel: E aí cambada? Desculpa o atraso!

Jamie: Cara, você chegou muito atrasado! A gente ta terminando de comer já.

Aaron: Mas a bebida não tem hora pra acabar.

Daniel: Então cheguei na hora. Do que vocês estavam falando?

Dexter: Mulheres.

Daniel revirou os olhos e bufou: Nem me fala de mulheres. To pensando em virar viado.

Aaron: Cara, você realmente é muito apaixonado pela Jennifer.

Daniel: Eu acho que já não é nem mais isso. Eu to com um ódio dela, mas um ódio tão grande da falta de amor próprio que ela tem. Tipo, se ela tivesse com um cara que gostasse mesmo dela, eu estaria de boa, juro. Se o Bradley gostasse mesmo dela, seja feliz. O problema é que ele claramente não gosta dela e mesmo assim ela continua trouxa atrás dele, se sujeitando a tão pouco. Ele faz ela ficar irreconhecível. Eu não consigo enxergar a Jennifer nas notícias que saem. No começo sempre é a Jen familiar, aí o idiota faz uma m**da e ela vira uma corna trouxa. E isso que ele faz é traição gente! Pensar na ex estando com a atual é o cúmulo da canalhice.


Os garotos ficaram quietos, até que Jake decidiu falar o que praticamente todos estavam pensando (praticamente todos, porque Channing estava pensando que veio pouco bacon no seu hambúrguer):

Jake: Você não acha que fica com todo esse nervoso dela com o Bradley, porque você mesmo não vive a mesma situação, só que com ela?

Daniel franziu a testa: Como assim?

Jake: To falando isso porque sou teu amigo, então não fique com raiva do mensageiro, mas veja bem, você gosta da Jennifer, sendo que, claramente, ela gosta do Bradley. Ainda assim, você continua gostando, mesmo sabendo que não é recíproco. Entende agora?

Daniel: Você ta querendo dizer que eu também sou trouxa, entendi!

Jake: Cara, não é isso...


Daniel: Não, é isso sim, e eu to de boa com isso. Mas o que eu quero dizer, é que to com essa raiva toda não porque eu gosto dela como mulher, mas sim pelo amor que eu tenho por ela como amigo. Gente, eu já superei isso. Não precisam fazer essa cara de céticos, porque eu to falando sério. Se eu gosto dela? Eu gosto sim, confesso, e eu acho que sempre terá um lado meu que sempre gostará, mas eu sempre convivi com isso muito bem. A Jen já teve outros caras e eu sempre fiquei de boa. O que me chateia é realmente no sentido desse amor muito forte que eu sinto por ela como amigo, que supera qualquer sentimento amoroso que eu também nutro por ela. Eu amo a Jennifer, ela e o Peeta são a minha vida, de verdade. E como amigo, eu odeio ver ela assim e fico com ódio dela, porque ela não foge dessa situação. Se ela achar outro homem, to de boa. Se ele tratar a minha melhor amiga com respeito, não terei problema nenhum. Acho que é tipo o Jamie com a Jane. São irmãos. Ele ama a irmã dele e não quer que alguém faça ela de boba (Jamie olhou discretamente para Jake, que não retribuiu o olhar). Eu sou assim com a Jen. É um amor como se ela fosse da minha família também.

Jake: Mas se ela quer, você não pode ficar com raiva. Ela vai arcar com as próprias consequências.

Aaron: Longe de mim defender o filho da p**a que é o diretor.

Channing corrigiu: Bradley! Ele deixou de ser diretor.

Aaron: Isso, Bradley. Mas assim, o que ele faz com a Jennifer é sacanagem? É. Mas não é tão grande assim, porque é só um namoro. Quando um namorado sacaneia uma namorada, é ruim, mas também não é tão ruim, porque não é nada sério. Filha da p**agem era o que ele fazia com a Elizabeth, isso sim, porque no caso dela, pensava-se num futuro.

Dexter: Já pararam pra pensar que todo mundo aqui tem pelo menos uma mulher que o define? Tipo, Channing: Emma e Scarlett; Jake: Natalie e Jane... E agora Mia; Daniel, Jennifer; Jamie, Dakota, que aliás, precisamos falar de Dakota; e eu, Mia.

Channing: Pior que é! Essas garotas do Cavalinho são fogo.

Jake: É que por trás de todo homem tem sempre uma mulher, não tem jeito. Menos no caso do Daniel, que vai virar viado.

Jamie: É, tem isso. Cara, eu super acreditei no que você falou, Daniel, mas o que te pegou foi a sua frase de virar viado. Isso daí já mostra que o que você falou da Jennifer não é bem assim...

Os meninos começaram a concordar, o que fez Daniel rebater:

Daniel: E quem disse que meu drama com mulheres só tem Jennifer, gente? Vocês não sabem nem da metade da missa.

Dexter: Iiiiih, então vamos querer saber dessa missa depois, mas primeiro temos que saber de Dakota.

Jamie riu: O que tem a Dakota?

Dexter: Ela ta solteira agora e um dos motivos do término teve a ver com você. O que tem a dizer em sua defesa?

Jamie: Culpado, mas nem tanto, porque eu não postei foto nenhuma, quem postou foi ela.

Channing: Mas vocês não se pegaram depois daquilo tudo, nem nada?

Jamie: Eu não gosto de pegar a Dakota quando ela ta triste, porque ela sempre desvirtua as coisas. Vai achar que eu to apaixonado e vai vir com papo de namoro.


Channing: E por que você não namora ela? Eu achava que você gostava dela...

Jamie: Eu gosto dela. Acho ela bonita, bem gostosa, o sexo com ela é divino, mas sei lá. Amor é amor, tesão é tesão. Sem contar, que se a gente namorar e não der certo, eu perco uma amiga.

Aaron: Cara, vocês são muito sentimentais.

Jake: O que tem de sentimental em "eu só quero ela pra transar"?

Aaron: A continuação, que é: "porque se namorarmos e terminarmos, eu perco uma amiga".

Jamie riu.

Dexter: Sinceramente, Jamie, acho que você ta perdendo uma ótima garota. Os dois visivelmente tem química e tudo pra dar certo, mas você fica relutante. Eu não consigo entender, de verdade.

Jamie: Eu não sei... Pode até ser, mas eu não sei se ela gosta de mim como gostava antes. Tem o Carlisle agora.

Aaron perplexo: Ela ainda gosta do Carlisle? Mas não é possível!

Jamie: Eu não sei, eu tenho minhas dúvidas. Você viu o que ela falou para o Jack antes deles terminarem? Pode até ter começado por causa da foto minha com ela, mas o que os fez terminarem foi a fala dela sobre o Carlisle.

Channing: Eu acho que ela até pode ter um crush no Carlisle, mas você é o amor verdadeiro dela.

Jamie ficou quieto no começo, mas depois resolveu falar: É que vocês não sabem de uma coisa que eu sei.

Aaron: Então pode começar a falar!

Jamie: Eu menti pra vocês. Assim que ela terminou com o Jack, aproveitei a oportunidade e fui pra casa dela. Não foi no mesmo dia. Deixei passar um tempo, pra não ser prematuro. A mãe dela abriu a porta pra mim e eu fui pro quarto dela. Assim que abri a porta, já peguei ela com a boca na botija, se é que vocês me entendem. Eu perguntei em quem ela tava pensando e ela disse que era em mim.

Channing: Ta vendo?

Jamie: Pera, que eu ainda não terminei...

Aaron: Era no Carlisle - Ele revirou os olhos.


Jamie: Aí eu fui lá, todo animadão, participar da festa. Lambi o dedo dela, que tava... bem, vocês sabem onde é que ele estava antes! Olha, to contando esse detalhe, porque ele é, não seria importante, mas faz parte da revolta da história. Bem, fomos lá, começamos a tirar a roupa e talz. Quando eu peguei ela e coloquei em cima da mesa do computador, a tela, que estava com o papel de parede, acendeu e com quem eu me deparei? Com o gif do maldito numa notícia dele lá com a Giovanna, ou seja, a filha da p**a se masturbou pensando no outro e disse que tinha sido pensando em mim. E eu ainda fui lá e lambi a p**ra do dedo dela, que tava molhado, porque ela tinha pensado em outro.

Channing: E aí?

Jamie: Aí eu mandei ela se f**er, que era o que ela já estava fazendo antes, diga-se de passagem.

Daniel: Mas ela não tentou se explicar?

Jamie: Claro! Disse que estava lendo a notícia dela e do Jack, que fica embaixo da deles (Carlisle e Giovanna), e que depois foi subindo, mas largou o computador. Depois de um tempo, deitada na cama, ela começou a pensar em mim e foi aí que os trabalhos começaram. Desculpa bem esfarrapada!

Jake: É, isso aí meio que deixou na cara.

Daniel: Ah, eu não sei não. Vai ver ela falou a verdade, porque se ela quisesse pensar no Carlisle, ela estaria olhando para o gif no ato todo e não ter começado a olhar o gif e depois largado.

Jake: Tem muito homem que começa vendo filme pornô e depois larga pra terminar sozinho

Daniel: Nem pensar!

Jake: Tem sim, cara!

Daniel: Então são loucos, porque eu não faço isso.

Jake: Bem, mas você não é todo mundo.

Jamie: Eu só sei que essa foi a história, aí agora eu to meio que não muito a fim da Dakota.

Channing: Te entendi agora!

Aaron: Sim...

Jake: Mas agora, sem querer bancar o advogado do diabo, mas já sendo, vocês não acham que esse negócio de se masturbar pensando em outra pessoa é a coisa mais natural do mundo? Quer dizer, ela mentiu pra você Jamie? Claro que sim! Mas cara, vai ver ela tem tesão nos dois e isso é tão normal. Claro que ver a foto de outro cara desanima na hora, mas não sei se no meu caso, anularia a minha afeição ou seja lá o que você sente pela Dakota.

Channing: Nossa, pra mim isso é muita traição!

Jake: Você realmente acha que a Emma não pensa em nenhum homem quando ta...?


Channing bem sério e bravo, sabendo que homem Jake estava querendo insinuar: Não! Acho que ela só pensa em mim.

Jake: E você só pensa nela quando bate uma? - Ele tentou amenizar.

Channing: Nela e nas atrizes pornôs!

Jake: E isso não seria traição então?

Channing: Não, porque eu não conheço as atrizes e não quero um relacionamento com elas. Só achei elas gostosas no vídeo e acabou. Se a Emma pensar num ator pornô na hora, eu não tenho problema.

Aaron: Você pensa em outras mulheres, Jake?

Jake se viu em uma sinuca de bico. Ninguém o havia apoiado, o que o deixava em uma posição desconfortável, mas agora não dava mais para mentir: Penso, ué. - Disse ele, naturalmente - Não é só a Jane que me dá tesão não, gente. Mas isso não significa que eu gosto dessas outras mulheres que penso, e não, não é na Natalie. Na maioria das vezes nem são pessoas que eu conheço. Às vezes é uma atriz de cinema, uma amiga gostosa da minha mãe, a Letícia, sei lá.

Channing: Letícia eu entendo também.

Jake: Eu acho que as pessoas misturam muito as coisas. Ter vontade de dormir com alguém não significa amar ou querer um relacionamento com essa pessoa. Pra mim, essas últimas duas coisas são traições, agora desejo sexual é a coisa mais natural do mundo. Eu realmente acredito que a Jane não pensa só em mim quando ta nesses momentos, e pra mim ta de boa.

Jamie: Beleza, mas no caso da Dakota não era só vontade de dormir.

Jake: Ta, pode até ser, mas ainda assim, talvez ela realmente, como um dos caras falou antes, que eu já nem me lembro mais quem foi, ela pode gostar mais de você do que dele, visto o histórico dos dois.

Jamie: Não sei...

Aaron: Seu discurso, Jake, não sei por que mas me lembrou a Emma. Eu vejo a Emma falando isso.

Channing irritado: Vocês nem conhecem a Emma, por isso falam essas coisas.

Dexter: Mas e a Elizabeth, Aaron?

Aaron: Elizabeth? Elizabeth já viajou!

Dexter: E você perdeu o contato?

Aaron: Eu já tinha perdido ainda quando ela tava aqui. Elizabeth é coisa do passado. Não sei por que ainda insistem nisso.

Channing: É porque a primeira mulher que te deixou doidinho foi a Elizabeth que eu bem sei.


Aaron: Foi mesmo, mas não deu certo, então bola pra frente. Foi a primeira, mas definitivamente não será a última.

Dexter: Então já que todo mundo já falou das suas mulheres, vamos para a missa, Daniel?

Daniel: Melhor então pedir outra rodada, porque a missa será longa! Traz mais uma rodada, garçom! -Ele gritou para o garçom e começou seu longo sermão.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

I think it means that we've been lost

Bradley terminou de ler a notícia do blog e ficou boquiaberto. Já não bastava ter sua vida exposta, agora até seus pensamentos também não estavam a salvo. O pior de tudo era imaginar como Jennifer reagiria ao ler que ele ainda pensava na sua ex-mulher.

"Droga!" Ele deu um murro na mesa.

Durante sua aula de estatística na turma da garota, ele se aproximou dela, e disse que queria vê-la depois da escola. Claro que ele tentou ser discreto, e claro que ele não foi bem sucedido.

Depois do expediente, Bradley recolheu seus pertences depressa, e foi até o local que ele havia mencionado mais cedo.

O professor esperou quase meia hora até a menina chegar. Na verdade, ele já achava que ela não viria mais. Assim que a avistou, Bradley se levantou e esperou que ela se aproximasse.

"Oi." Bradley cumprimentou-a, um pouco sem graça.

"Oi." Jennifer respondeu, sem seu bom humor usual.

"Eu te chamei aqui, porque acho que te devo algumas explicações. Eu não tenho sido o namorado que eu quero ser, e nem o que você merece ter. Eu só queria que você não desistisse de mim ainda. Eu sei que eu sou meio enrolado, e que tenho algumas pendências, mas eu realmente gosto de você... de verdade." O professor falou receoso, com medo de como sua namorada iria interpretá-lo.



"Eu não sei, Bradley. Você claramente ama sua ex-mulher. E apesar de sempre saber disso, é meio chato ter a escola inteira me olhando com cara de pena, porque eu não consigo fazer você não pensar nela, nem quando você ta comigo." Jennifer desabafou. O rosto dela não estampava raiva nem tristeza, porém revelava um pouco de desgaste emocional.

"Eu não penso nela quando estou com você. Foi só daquela vez, eu juro!" Bradley se defendeu, tentando soar o mais convincente possível.

"É difícil de acreditar nisso. Eu acho que você deveria procurar ela e se declarar de uma vez. Todo mundo sabe que ela ainda gosta de você." Jennifer quis ser madura e razoável.

"Por que você ta dizendo isso, Jen?" Ele segurou sua mão, e alisou as costas com o dedão de leve. Bradley achava a mão de Jennifer muito fofinha, não era magricela e cheia de ossos como da maioria, pelo contrário, era carnuda e dava vontade de morder. "Eu não quero nada com a Jessica, se eu quisesse, eu teria beijado ela de volta naquele dia." Ele respirou fundo, "eu quero você." O professor olhou nos olhos da loira calorosamente. Suas íris eram duas circunferências de pura necessidade azuladas.

"Por que você não retribuiu aquele beijo?" Jennifer nunca tocara no assunto antes, mas naquele momento, ela precisava saber.



"Eu já disse." O professor retrucou calmamente.

"Não." A menina balançou a cabeça. "Não foi por minha causa. Qual foi o motivo?"

"Eu não sei. Acho que fiquei com medo." Bradley deu de ombros.

"De quê?"

"Sei lá... Às vezes você quer muito uma coisa por tanto tempo, que quando finalmente está prestes a conseguir, você congela." O professor não olhava mais para a garota, ele não conseguia encará-la, se sentia envergonhado demais para isso.

Jennifer não sabia se sentia pena dela ou dele.

"Eu não quero mais que você diga que você disse não para sua ex-mulher por mim. Essa é uma mentira deslavada que só serve para eu ficar parecendo ainda mais corna."

Bradley ameaçou falar, mas a menina logo o cortou.

"E também não quero que você pense nela enquanto está comigo. Ou você ta comigo ou você ta pensando nela. Os dois juntos, eu não vou mais aceitar."

Bradley assentiu calado.

"Eu não sou ciumenta, e eu to tentando o máximo ser compreensiva com você e com a sua situação, mas tudo tem limite." Jennifer disse seriamente.

"Você tem razão." O professor concordou sem graça.

Jennifer olhou para o relógio e tornou novamente a olhar para o professor.

"Eu tenho que ir. Prometi ao meu irmão que ia acompanhar ele no happy hour da Bronxs"

"Tudo bem." Bradley tentou inutilmente camuflar a tristeza da voz.

"Amanhã a gente se fala." Jennifer lutou contra o desejo de beijá-lo nos lábios, plantando um beijo no seu rosto, em contrapartida.

Ela sabia que não deveria ter lhe dado nada, porém o professor era sua fraqueza, no qual ela não aprendera a controlar. Ainda.

quarta-feira, 25 de março de 2020

(Parênteses)


Andrew, Antonella e Asa estavam na sala de espera da terapeuta, esperando a vez do garoto. Enquanto os pais estavam sentados em duas poltronas individuais, o menino estava num puff jogando seu miniboy. Antonella, que estava lendo um livro, olhou de canto para Andrew, que estava sério e pensativo. Desde que ela o vira no trabalho, reparou que o professor estava para baixo. Aproveitando o silêncio, ela resolveu perguntar:

"Aconteceu alguma coisa?"
"..."
"Andrew?", ela estalou os dedos na cara dele, "Andrew? Aconteceu alguma coisa?"
"Oi? Não, não! Eu só estava distraído!"
"Você ta bem aéreo hoje."
"Acho que sim..."
"Posso saber no que você estava pensando?"
"Tava pensando... hmmm... Num presente."
"Presente pra quem?"
"Pra Jessica. O aniversário dela ta chegando."
"Aaaaaah! Entendi!"
Ele deu de ombros.
"E quais são suas ideias?", ela continuou, agora olhando para o livro.
"Um cd de rap."
"Nossa, um cd de rap? Que presente péssimo!"
"É, eu sei. Era pra ser uma piada."
"Eu nunca entendi isso... Gastar dinheiro com piada!"
"Eu sempre gostei de gastar dinheiro com piada. É mais divertido do que gastar dinheiro com o presente mesmo."
"É, eu sei disso."
Andrew olhou desconfortavelmente para frente. Os dois voltaram a ficar em silêncio, até que pouco tempo depois, o britânico decidiu quebrá-lo:
"Eu ia dar outra coisa também."
"Eu imaginei...", ela respondeu olhando para o livro, até decidir largá-lo. "Talvez você poderia dar um colar com uma cruz. Ela não é religiosa?"
"Ela já tem um colar de cruz", respondeu Andrew fazendo cara de dor.
"Hmmmm...", Antonella ficou pensativa. "Então talvez seja melhor... O quê? Deixa eu ver..."
"Não precisa! Eu penso em algo depois."
"Só tentei te dar uma perspectiva feminina."
"Eu sei e obrigado por isso, mas eu conheço ela melhor que você. Você vai pensar em algo genérico."
"E você quer que seja especial..."
"Sim!"


"Ok!" Antonella reabriu o livro, mas um pensamento a deteve e ela o externalizou: "Andrew, de verdade, estou muito feliz por você e pela Jessica. Eu sei que você já teve outras namoradinhas, mas senti que essa realmente é séria."
"É sim", Andrew continuava olhando para frente.
"Eu senti isso, principalmente porque é a ex do seu melhor amigo. Olha, eu não to te julgando", ela se defendeu, vendo que ele tinha feito uma cara feia ao ouvir a parte que mencionava Bradley, "... pelo contrário, eu acho que você nunca faria isso se não visse um futuro com ela e se não gostasse mesmo dela."
"É verdade!"
"Eu sinto que dessa vez você está buscando a sua felicidade e isso me deixa feliz. Vai ser bom para o Asa também. Ela é uma pessoa responsável, vai ser uma boa influência para ele."
"Sim, mas calma, ainda estamos no começo."
"Por quê? To me precipitando?"
"Não! Quer dizer, mais ou menos. Eu realmente penso em um futuro com ela, mas não sei qual. Temos que ver como vai ser. Não quero criar expectativas."
"Acho meio difícil não criar expectativas em relação a isso. Ela mesma deve estar criando. Ela não estava noiva há pouco tempo? Significa que ela almeja se casar de novo..."
"Por que você tá me falando isso?"
"Qual é o problema falar isso?"
"É que... É que...", Andrew olhou para cima, tentando reprimir que as lágrimas caíssem. "Porque esse assunto não me deixa bem."
Antonella olhou surpresa para Andrew, vendo que o professor começava a chorar. Ela olhou para Asa para ver se ele tinha notado, mas o garoto estava muito entretido no jogo dele. Ela então voltou a olhar para o Andrew, que estava secando as lágrimas.
"O que houve?", ela perguntou assustada.
"Eu to me sentindo muito mal com tudo isso. O Bradley não tá falando comigo e eu to com muita pena dele."
"Mas ele não ta namorando?"
"Eu sei, eu sei, mas não era isso que ele queria.", Andrew continuava secando os olhos, porque as lágrimas não paravam de cair.
"Andrew...", Antonella disse surpresa, porque não esperava que ele estivesse se sentindo tão mal com a rixa que criou com o amigo.
"Ele nunca vai me perdoar. Nunca mais vai ser a mesma coisa. Coitado!"
"Andrew, não é culpa sua.", Antonella discordava dessa parte, mas disse isso para consolar o ex-marido. "Eles se divorciaram faz tempo e não voltaram desde então. Não é como se você tivesse separado os dois."
"Eu sei, mas o Bradley... Ai, que m**da! Vamos mudar de assunto?"


"Ok!", ela ainda o olhava preocupado. "Como vai a sua mãe?"
"Antonella, vai pra p**a que pariu! Vai puxar assunto sobre a minha mãe doente?"
Ela olhou para ele surpresa com a reação, mas viu que enquanto ele enxugava as lágrimas, um pequeno riso, que ele tentava prender, estava aparecendo, o que fez ela começar a rir: "Desculpa, foi realmente sem noção da minha parte!" Os dois ficaram rindo, até o poder da risada se dissipar. Foi aí que a italiana perguntou: "Então... O que tem lido?"
Andrew apenas pensou irritado: "Antonella, vai à m**da!" e deu uma resposta qualquer.

segunda-feira, 9 de março de 2020

Haunting highs and lows

Bradley estava tendo uma noite perfeita. Ele deixou seu filho, Brian, com a mãe pela semana. O professor de estatística amava seu filho mais que tudo, mas também gostava da liberdade de poder levar sua namorada para passar a noite com ele quando bem entendesse.

O professor e a Jennifer, saíram para ver um filme, e depois foram para o Chicken's Paradise para comerem frango frito. Ele achava adorável quando a menina pegava o frango gorduroso com as mãos, e mordia sua carne suculenta e cheia de molho saucê. Ele também achava engraçado o modo que ela mastigava e falava ao mesmo tempo, ou quando ela soltava suas risadas altas que dava pra escutar da mesa do fundo. Jennifer realmente era única, e ele se dava conta disso todos os dias.


"Podemos ir?" Bradley afastou o balde de frango da menina, que o olhou brava.

"Você nunca me deixa terminar de comer!" Ela reclamou puxando o balde de volta e raspando o resto do molho com os dedos e depois chupando.

"Não tem mais nada aí." Bradley riu.

"Você é muito observador, meu caro Watson."

"Sou mesmo."

Jennifer limpou as mãos na saia e virou o resto de cerveja.

"Tudo bem, podemos ir."

Bradley chegou com Jennifer na sua casa. Ela foi direto para o banheiro e ele se esparramou no sofá. Ele havia se divertido muito e foi muito bem-sucedido em tirar sua ex-mulher da cabeça por uma noite inteira. Bom, pelo menos até o momento. Estava muito difícil digerir a notícia que recebera de que sua ex-mulher estava namorando sei ex melhor amigo. A tamanha trairagem por parte dos dois, era algo que ele não conseguia suportar. Andrew era um homem sujo, autor de contos eróticos, e eternamente apaixonado pela ex-mulher. A ideia dele ter tocado Jessica intimamente, fez Bradley cerrar os punhos e querer socar a cara daquele fdp de novo. Bradley pensou no momento que teve Jessica pela primeira vez. Os olhos inocentes dela observando cada movimento seu, escaneando seu rosto enquanto ele tocava sua parte mais sagrada. O nervosismo e a responsabilidade que ele sentiu quando estava prestes a entrar nela, e o sentimento de estar em casa quando finalmente entrou. As mãos dela apertando ele com força para aliviar a tensão e a dor, o beijo que ele selou em seus lábios para dissipar qualquer desconforto.


Quando ele se jogou do seu lado e ela o olhou com tanto amor e fragilidade. Naquele momento ele se deu conta que um era inevitavelmente e permanentemente do outro.
Jennifer saiu do banheiro, pertubando seus pensamentos.

"Tava realmente precisando descarregar a cachoeira." Jennifer disse secando as mãos na calça e indo sentar do seu lado.

Ele se aproximou e deu um beijo na menina. Ela tinha um gosto maravilhoso e ele era viciado nos seus beijos. Ele não sabia exatamente o que ela fazia que o deixava louco. Depois de longos minutos de pegação, Bradley foi para cozinha preparar um coquetel para os dois.

Ele sabia que Jennifer não podia sair da a casa dele muito tarde, mas ele esperava aproveitar as poucas horas que ela ainda ficaria com ele.

Jennifer ligou a tv e colocou num programa de comédia da mtv, rindo adoravelmente com o conteúdo.

Bradley amava a risada de Jennifer que dava para ouvir da cozinha. Era rouca e sexy e divertida. O professor despejou a bebida da coqueleteira nos copos com gelo em cima da bancada.

Antes de se anunciar sua presença de volta, o professor observou sua namorada de longe. Ela era linda e perfeita, muito mais do que ele podia sonhar em ter. Então, por que ele não conseguia parar de pensar em Andrew e Jessica?