domingo, 1 de setembro de 2019

Replacement

O que ele mais temia havia chegado na sua casa como uma tempestade num dia até então perfeito de verão. Um envelope com uma fita em dourado o convidava para seu mais obscuro pesadelo.

" Júlio César Maidden Hardy 
   &
  Jessica Michele Chastain

Convidam para a cerimônia de casamento a realizar-se dia
                                                 06/01/2020"

Como ela conseguia seguir adiante com a ideia de casar com outro homem? Como ela podia ser mulher de outro quando ela pertencia a ele? Afinal, eles juraram diante de Deus e mais 300 pessoas que iriam se amar e cuidar um do outro até a morte. 
Aquele convite era a confirmação que para ela, seus votos foram meras palavras ditas ao vento sem o menor valor. Uma facada no estômago doeria menos do que ver sua mulher se casando com outro.
O convite continha outros cinco individuais, um para ele mesmo e os outros para Emma, Brian, Andréia e Bryce.
Sem pensar duas vezes, Bradley rasgou aquele papel maldito em mil pedacinhos. Ele não ia comparecer àquele teatro e muito menos o seu filho.
Depois Bradley pegou as chaves do carro, checou se as crianças estavam dormindo e dirigiu até a casa da pessoa que ele acreditava que ajudaria a amenizar a dor que estava sentindo.

O professor estacionou na esquina da casa dela. Ele tirou o celular do bolso e discou seu número, ignorando o fato de ser mais de 2 horas da manhã. 

"Alô." Respondeu uma voz com sono. 

"Oi. Hãã, desculpa te acordar, mas é que eu preciso falar com você." Bradley falou meio enrolado. 

"Ta tudo bem?" A pessoa respondeu demonstrando preocupação na voz além do cansaço. 

"Mais ou menos, eu posso te ver?" O professor perguntou ansioso. 

"Como assim me ver? Ta tarde Bradley." Ela olhou o relógio para confirmar o que havia dito.

"Vai ser um segundo, eu to em frente à sua casa." Bradley explicou. 

"O quê? Você ta louco?" Ela tentou controlar a voz e foi até a janela, confirmando a presença do professor ali. 

Ele acenou quando viu a figura dela na janela. 

"Desce logo." Bradley disse impaciente pelo telefone. 

"Eu te odeio." Ela desligou o telefone. Depois colocou um casaco e saiu. 

Bradley estava com cara de enterro e com os olhos vermelhos. 

"Você ta bem?" Ela perguntou preocupada. 

Bradley abraçou a menina deixando a cabeça cair em seu ombro. 

"Não." Ele respondeu com as primeiras lágrimas deixando seus olhos. 

"O que aconteceu?" Ela perguntou confusa. 

"Ela vai se casar com outro." Ele disse sem vida. 

"E qual a novidade?"

"Eu acabei de receber o convite." Bradley explicou. 

"Oh. Você sabia que isso ia acontecer." Ela falou calma, ainda com o professor nos braços. 

"Não que ia doer tanto.... Eu amo ela." Ele admitiu. 

"Eu sei." Jennifer compreensiva. 

Bradley tirou a cabeça do ombro da Jennifer e finalmente olhou para ela. Em seguida ele segurou o rosto dela e a beijou. 
A menina apesar de surpresa retribuiu o beijo do professor. Eles se beijaram até que o beijo naturalmente chegou ao seu final. 

"Eu vou voltar pra dentro." Jennifer informou quando os lábios se partiram. 

"Não. Fica mais um pouco. Eu preciso de você." Bradley alisou o braço dela. 

"Eu já dormi tarde estudando pra prova que eu vou ter amanhã, se eu não voltar agora, eu vou acabar dormindo na prova."

"Eu posso desmarcar essa prova. É de quê?" Bradley tentou barganhar. 

"Não, Bradley. Eu estudei e quero fazer a prova. Eu sinto muito que a sua ex-mulher vai se casar com outro. Mas você não pode aparecer na minha casa de madrugada esperando que eu largue tudo porque você não consegue lidar com isso. Desculpa, mas você ta querendo demais."

"Eu sei, desculpa." Bradley concordou envergonhado." 

Jennifer o olhou meio culpada. "Amanhã a gente conversa, o que acha?" Jennifer disse menos ríspida do que antes. 

"Ok." Bradley aceitou se sentindo derrotado. 

"Daqui direto pra casa." Ela o advertiu. Depois de um beijo no rosto dele e foi para dentro. 

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Baby, come back to me

Joe e Margot estavam dando uns amassos no sofá da casa dele, quando a campainha tocou.

"Deve ser a pizza."

"O que eu quero comer é outra coisa.", disse Margot com um sorriso malicioso.


Ele sorriu de volta um pouco sem graça e foi atender a porta. Para a sua surpresa, era Taylor com lágrimas nos olhos.

"Volta pra mim, por favor. Eu preciso de você."

Ele olhou assustado para ela, depois olhou para trás e gritou:

"Já volto!"

Joe fechou a porta atrás dele e perguntou preocupado:

"O que houve? Aconteceu alguma coisa?"

"Meu tio. Ele ta doente...", ela mal conseguiu responder.

"Taylor... Eu não sei o que dizer."

Os dois se abraçaram e ela disse de olhos fechados:

"Eu preciso de você, Joe. Eu não vou conseguir enfrentar isso sozinha. Eu não queria fazer isso. Você sabe que eu sou muito orgulhosa. Mas acontece que eu te amo mais do que o meu próprio orgulho."

"Taylor..." Ele desfez o abraço e colocou as mãos no ombro dela, "eu nunca te trai, você precisa acreditar em mim. Eu nunca beijei a Margot enquanto eu estava com você."

"Eu não sei.", Taylor olhou para baixo.

"Você sabe, Taylor. Você sabe. Eu nunca faria isso com você."

"Então volta pra mim."


Ele olhou para ela indeciso. Taylor tinha os seus defeitos, claro, mas era uma mulher incrível. Carinhosa, sempre presente, não importava a situação, fofa, engraçada, sexy. Ele secou uma lágrima do rosto dela e disse triste:

"Eu não posso."

"Eu não acredito que você vai jogar tudo o que a gente teve por causa da Margot. Ela nem gosta de você. Ela só queria um homem, não importa qual fosse. Como o Wade não quis, ela foi pra cima de você."

"Não fala assim dela."

"Eu falo dessa piranha como eu quiser! Ela roubou você de mim!"

"Taylor, olha pra mim. Olha pra mim. Eu realmente sinto muito sobre o seu tio e no que você precisar, eu estarei aqui por você, de verdade, mas dessa vez como amigo. Não importa o término, nem nada. O carinho e o amor que eu sinto por você são o mesmo."

"Eu não acredito que eu vim aqui fazer papel de boba de novo. Seja feliz com a Margot. Espero que ela te faça feliz."

"Taylor, não vai embora assim. Por favor!"

Mas Taylor foi. Ele a viu desaparecer e, então, entrou em casa. Margot, que havia visto toda aquela cena patética por detrás das cortinas, correu rapidamente para o sofá e fingiu que estava no celular.

"O que foi? Quem era?"

"Era a Taylor."

"E o que ela queria?"

"Ela pediu pra gente voltar. Disse que o tio ta doente.", respondeu Joe, que sabia que Margot havia espiado tudo.

"Nossa, o tio dela ta doente e ela vem fazer chantagem emocional pra você voltar com ela? Gente, a Taylor é perturbada."

"Acho que ela ta se sentindo sozinha. Não é fácil lidar com doença na família.", o loiro falou soturno. 

"Bem, de qualquer forma, a Taylor é muito dramática. Ela sabe fazer uma cena."

"O tio dela ta doente, Margot!"

"Eu sei! Mas o que você pode fazer?"

Ele ficou quieto e sentou. A verdade é que ele ainda se preocupava com Taylor e a achava muito frágil para lidar com todas essas coisas sozinha. Margot, então, se sentou no colo dele, virada para ele.

"Desculpa! Eu não quero parecer insensível, mas é que acabou que eu escutei tudo e achei que ela jogou muito sujo falando do Wade. Não foi nada daquilo que ela disse. Você sabe que eu só tenho olhos pra você.", a loira falou, fazendo carinho no cabelo do namorado.


"Eu sei!", ele botou os braços em volta da cintura de Margot.

Os dois, então, começaram a se beijar carinhosamente, enquanto, não muito longe dali, vagava uma Taylor solitária e chorosa pela noite. 

Até que a morte nos separe


Antonella acordou atordoada. Ela olhou o relógio. Já eram 3h da manhã. Meu Deus, ela havia dormido muito. O que aconteceu com as crianças? E a Joy? Ela desceu rapidamente as escadas e deu de cara com uma figura de costas, sentada no sofá, assistindo tv e dando de mamar para o seu bebê. Ela conhecia bem aquela figura mesmo de costas. Era Andrew. Ela esfregou os olhos para ver se estava enxergando bem. Andrew continua lá, sem se dar conta da presença dela. Ele resmungava bem baixinho para o nenê, inconformado de que Michael havia ganhado uma rosa de Lorene. Antonella, tentando entender tudo aquilo, se lembrou, de repente, de que realmente o ex-marido estava lá. John havia viajado à negócios, deixando ela sozinha com as crianças. Não tinha ninguém para ajudá-la. Sua irmã e cunhada já haviam voltado para a Itália e Reino Unido, respectivamente. Ela estava virada praticamente por duas noites, pois Joy ficava acordada a madrugada inteira e quando finalmente a menina dormia lá pelas 6h da manhã, Asa e Crystall estavam prestes a se levantarem. Vendo que a mãe não estava conseguindo dar conta de tudo aquilo sozinha, depois do ataque que ela deu no café da manhã com os dois, só porque ela pisou numa peça de lego no corredor, Asa decidiu chamar o pai para ajudar nas coisas. Ao chegar, Andrew encontrou Antonella meio acordada, meio dormindo, secando os pratos. Ele direcionou ela para cama, que o seguiu sem reclamar, e desde então, passou o resto do dia lá, repondo as energias.
Depois de colocá-la na cama, Andrew assumiu todas as tarefas da casa, além de ter uma conversa com as duas crianças sobre a importância delas começarem a ajudar a mãe em algumas atividades do lar, já que a mesma estava muito sobrecarregada. Ele fez as compras, preparou almoço, lanche e jantar, arrumou a bagunça da casa junto com Asa e Crystall, brincou com eles, ajudou nas lições escolares, como pode, e às 18h começou a cuidar também de Joy, que acordou. Enquanto isso, Antonella dormia pesadamente, sem acordar com um barulho sequer. 
Embora tudo isso pudesse ser deduzido só pelo horário, Antonella não refletia em nada daquilo. Ela só olhava aquela cena: seu ex-marido segurando a filha que ela teve com outro, alimentando aquela menina, brincando com ela. Parecia que o tempo tinha voltado uns 8 anos. Ela já havia encontrado ele naquela mesma situação, só que com Asa, filho dele. Ela ficou paralisada olhando tudo aquilo não se sabe por quanto tempo.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Tell me the truth

Bradley e Jessica estavam no cartório resolvendo algumas pendências que foram deixadas sobre o divórcio.

"Com licença doutora, a senhora se importa em aguardar alguns minutos até a chegada do senhor Magnum?" A estagiária perguntou se sentindo intimidada pela presença dos dois.

"Eu aguardo até 10, caso ele não chegue a tempo, a gente deixa pra outro dia."

Jessica odiava quando as pessoas não chegavam no horário porque ela sempre dava seu máximo para comparecer aos eventos em ponto e ela esperava o mesmo das pessoas.

"Sim senhora." A estagiária sorriu sem graça e voltou para detrás do balcão.

"Inacreditável." Jessica reclamou com raiva.

"Calma Jess, eu honestamente não tenho nada pra fazer depois daqui." Bradley disse relaxado. Ele cruzou a perna e esticou o braço na cadeira ao lado, onde estava sentada sua ex.

"Você talvez, mas eu to cheia de trabalho me esperando em casa." Jessica olhou novamente o relógio.

Bradley não respondeu. Ele não gostava quando a ex-mulher falava como se ela fosse a única com um trabalho importante.

"Eu também quero passar na casa da Viviane. Ver se ela ta precisando de alguma coisa." A ruiva disse, dessa vez com a guarda mais baixa.

"Você quer que eu vá junto?" O professor ofereceu.

"Eu não sei se ela vai gostar que eu apareça com um estranho."

"Eu não sou um estranho."

"Pra ela você é."

"Tá bom, faça como quiser." Bradley respondeu apático.

"Obrigada ainda assim." Jessica disse sinceramente.

"Aham."

Os dois ficaram em silêncio. Bradley olhou em volta e percebeu alguns olhares sobre eles. Isso já era comum pra ele, geralmente quando os dois estavam juntos, eles despertavam esse tipo de atenção. Ele sempre se sentia meio overdressed nessas ocasiões.

"O que aconteceu naquele dia com o Andrew?" A ruiva disparou do nada, tirando Bradley de seus devaneios sobre vestimenta.

"O quê? Como assim?" O professor perguntou meio perdido.

"O que ele disse que eu não posso falar com ele?"

O rosto da ruiva era de alguém genuinamente cheia de dúvidas. "Eu to perguntando porque eu não consigo entender. A gente tava se dando bem. O que ele falou de tão ruim?"

"Não importa Jess, já passou." Bradley tentou dar um fim no assunto.

"Você pode não ter reparado, mas a gente tava próximo. Você não precisa me proteger, eu posso lidar com o que seja lá o que for." Jessica insistiu.

"Eu ainda acho melhor não." Bradley disse na esperança de que a ex deixasse o assunto.

"Eu preciso saber, Bradley!" Jessica disse já impaciente.

"Ta bom!" Bradley sabia que a ruiva não ia mais deixar passar. "Naquele dia, quando o Júlio falou aquelas coisas, péssimas de se dizer aliás, a Elizabeth sugeriu ao Andrew que ele ficasse com você pra você não ficar mais com o Júlio. Aí o Andrew disse que não queria um fardo na vida dele." O professor falou a última parte temoroso.

"Ah." Foi tudo o que a ruiva conseguiu fazer falar.

"Eu quis te proteger." Bradley se justificou.

Jessica segurou seus braços com força, "obrigada." Ela forçou um sorriso.

"Acho que já deu os 10 minutos, vamos embora?" Bradley perguntou se levantando.

"Ok."

"Eu vou falar com aquela menina que voltamos outro dia." Bradley avisou e Jessica concordou.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Desabafos da madrugada

Eram mais de duas horas da manhã, Jessica não conseguia mais dormir. Seu noivo tinha comunicado que eles iriam embora assim que amanhecesse, pelas 6h. Ela não queria passar a noite lá, mas preferiu evitar uma discussão desnecessária.

No meio da noite, ela seguiu até o Hall secundário. O cômodo estava escuro, sendo iluminado apenas por velas. Ela sentou no tapete de frente a mesinha e encostou as costas na poltrona.

Aquele dia refletira basicamente a sua vida toda. A humilhação, o senso de inferioridade e a sensação claustrofóbica que as palavras e olhares alheios lhe causavam.

A ruiva fechou os olhos e respirou fundo, tentando levar sua mente e sua alma para o abismo cujo conforto, do qual tanto precisava, era enfim alcançado.

Jessica estava tão imersa em seu próprio mundo que deixou de escutar os passos que se aproximavam. Foi quando essa pessoa sentou do seu lado, que seu cheiro inconfundível inundou suas narinas e fez com que seus olhos se abrissem.

"Bradley!" Jessica exclamou num sussuro, tentando não se alterar muito por causa do horário.

"Acho que não sou o único com dificuldades pra dormir." Bradley cruzou os braços e as pernas.

"Eu sei que foi ideia sua, mas que m***a de reunião." Jessica falou com um pouco de humor, fazendo seu ex dar uma pequena risada.

"Nem me fala! Da próxima que eu der uma ideia idiota dessas me impeça, por favor." Ele se adireitou no lugar e fechou os olhos, encostando a cabeça na poltrona.

"Seus amigos não gostam de mim." Jessica afirmou.

"Acho que não." Bradley concordou calmamente.

Jessica encarou ele incrédula. Bradley sentia o olhar dela mesmo de olhos fechados. Ele abriu um olho rapidamente para ver sua reação e tentou não rir da cara de brava da sua ex-mulher. "Relaxa aí Jess, nem Jesus Cristo agradou todo mundo."

"Eu sei, é que... sei lá." A ruiva deu de ombros.

"Como tá o Júlio?" O professor perguntou depois de alguns minutos em silêncio.

"Estressado e, meio triste? Ele se sentiu mal interpretado e encurralado." Jessica revelou.

"E você concorda?"

"Com o quê?"

"Que ele foi mal interpretado." Ele explicou.

"Ah! Eu... acho que sim." A ruiva respondeu titubeante.

"Humm.." Bradley murmurou.

"Eu ainda vou me casar com ele." Jessica revelou.

"Eu não esperava nada diferente." Bradley disse calmamente.

"Você ta com raiva?"

"Não."

Os dois ficaram em silêncio por longos minutos.

"Eu acho que você deve investir sério na sua namorada." Jessica quebrou o silêncio.

"E por que você acha isso?" Bradley se virou para olhar para a ex.

"Porque ela é maravilhosa. E você merece alguém assim." Jessica falou quase num sussurro.

"Eu to começando a achar que eu não sou bom o bastante pra ela. E aparentemente outras pessoas também acham." Bradley disse melancolicamente.

"Besteira! Quem disse isso?" Jessica disse incrédula.

"Não importa, mas eu também concordo. Não quero que a Elizabeth perca tempo com quem não vale a pena. Eu me sentiria péssimo com isso." O professor desabafou, a verdade é que ele tinha odiado ouvir muitas coisas naquele dia.

"Mas você vale a pena." Jessica disse sinceramente.

"Obrigado." Bradley agradeceu sem acreditar muito nas palavras da ex.

"Eu não quero mais você saindo com o Andrew." Bradley falou de repente e Jessica o olhou confusa.

"Como?"

"Eu to falando muito sério sobre isso. Mesmo com o Brian, eu não quero mais." O professor disse firme.

"Do nada você me fala isso? Ele falou alguma coisa?" Jessica perguntou ainda mais confusa.

"Você confia em mim?" Bradley perguntou olhando nos seus olhos.

"Não vem ao caso! O que ele disse?" A voz de Jessica aumentou em dois quartos.

"Eu não acho que ele seja uma boa amizade pra você. E não adianta pedir pra eu falar mais nada que eu não vou falar."

"Ok." Jessica respondeu.

"Ok, você não vai perguntar mais nada, ou ok, você não vai sair mais com ele?"

"Eu não vou mais sair com ele, satisfeito?" Jessica disse brava.

"As coisas vão melhorar." Bradley disse num tom de consolo, relaxando novamente a posição.

domingo, 19 de maio de 2019

Mais um baby?


Viemos trazer uma notícia que acabou de sair do forninho. Jessica está esperando um filho com o auxílio de uma barriga de aluguel. Ela fez o processo em segredo com a ajuda de um amigo que ofereceu para ser o doador. Não sabemos o quanto que a barriga de aluguel recebeu para carregar o tão esperado baby da ruiva, porém sabemos que ela está com seis semanas. Abaixo temos a reação do Júlio quando ficou sabendo da notícia.
"Você realmente não vê nenhum futuro comigo?" Júlio perguntou sério.
"Como assim?" Jessica perguntou confusa.
"Porque se você visse, você ia ter me cogitado como o doador. Isso sequer chegou a passar pela sua cabeça, né?" Ele falou ressentido.
"Na verdade, sim. Mas eu não achei justo colocar isso nos seus ombros. Esse é um problema meu. Uma deficiência minha. Eu nem sei se vai dar certo... E eu não acho que você queira mais filhos. E  mesmo se você quisesse, a gente poderia não dar certo como casal e você se arrependesse." Jessica se explicou.
"Aí você aceita os espermas de um homem gay pra ser o pai do seu filho? Você sabe como esses gays são, eles são expansivos. Eles vão querer decidir tudo sobre a criança." Júlio argumentou.
"Honestamente, existindo uma criança eu não ligo. Eu só quero que dê certo. Se depois eu e o Ricco vivermos em pé de guerra por causa da criação, pra mim ta ótimo. Eu só quero que dê certo." A voz da Jessica falhou mas ela tentou manter a compostura.
"Ai, Jess." Ele pegou a ruiva nos braços que começou a chorar. "Vai dar certo." Ele disse firme.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

You've been cheating on me and I've been cheating on you


- Eu já te trai, sabia?
Chris, que estava de costas para Samantha pegando uma camiseta no armário, virou surpreso para ela e a viu ajoelhada na cama, segurando a coberta com força. Seu coração batia forte com a revelação, porque ele não imaginava onde isso tudo os levaria.
- Por quê? - Perguntou o professor com a voz grave, depois de um tempo.
- Eu não gostava de você. - Ela disse olhando para baixo.
- E por que quis se casar então? - Ele indagou calmo.
- Porque eu não queria ser mãe solteira.
Chris estava com muita raiva, mas procurou se conter, pois, apesar de tudo, Samantha ainda estava doente. Ele sabia que não era nenhum santo, já que traíra a esposa duas vezes. A diferença é que ele zelava pela casa, por ela e pelos seus filhos e enteados. Ela, ao contrário, só se preocupava com os negócios. 
- Por que você decidiu me contar isso agora?
- Porque eu te amo! - Ela respondeu calmamente.
Outro baque! Essa, definitivamente, não era a resposta que ele estava esperando. Seu coração começou a bater mais rápido novamente. "Putz!", pensou.
- Talvez você esteja confundindo amor com gratidão. - Ponderou Chris.
- Eu sei o que é amor, Chris. Por incrível que possa parecer, eu já amei.


Outro silêncio. Dessa vez, Sam decidiu quebrá-lo.
- Eu entendo que você não sinta o mesmo. De verdade! Eu sei que não sou fácil.
Depois de poucos segundos, reflexivo com tudo o que havia escutado, o professor, enfim, revelou:
- Eu... Eu também já te traí, Samantha. 
Ela abaixou os olhos decepcionada, mas depois olhou para ele e disse calma:
- Eu já imaginava... 
Os dois ficaram quietos de novo, até que ela perguntou:
- Posso saber com quem?
- Foi com uma mãe da aula de natação. 
- Hmmm... Só ela?
- Só!
Se Chris estava convicto de uma coisa, é que ele não contaria sobre a outra.
- Entendo...
- Eu estava me sentindo sozinho.
- Eu sei. Me desculpa!
Chris nunca tinha visto Samantha daquele jeito. Tão impotente, tão vulnerável. Aquilo era muito estranho.
- Você então não gostava de mim, porque gostava de outro?
- Não. Eu não gostava de você, porque eu sabia que você não gostava de mim e isso me deixava irritada. Visivelmente, você se casou obrigado. - Expôs Sam, de maneira não acusatória.
- Então agora a culpa é minha? - Chris se alterou um pouco.
- Não, eu não disse isso. A culpa é minha! Eu te obriguei a se casar comigo.
- E você não tem como saber dos meus sentimentos. Saber que eu nunca gostei de você. Eu nunca disse isso! - Chris cuspiu as palavras, como se estivesse tentando justificar a si mesmo, ignorando o que Samantha havia acabado de dizer.
- Uma mulher sente essas coisas...
- As pessoas se enganam, sabia?
- Eu não!
- Como você tem tanta certeza disso?
- Eu tenho certeza do mesmo jeito que eu tenho certeza que até hoje você não gosta de mim.
- Ah é? E como você sabe disso?
- Você nem me perguntou com quem eu te traí, enquanto o meu primeiro instinto foi perguntar a mulher com quem você dormiu. A gente só sente ciúmes de quem gosta, Christopher.
Chris ficou um pouco envergonhado. Realmente, ele não estava nem aí para quem tinha sido a pessoa. Ele não sentia ciúmes de Sam com outro homem, só se sentia desrespeitado.
- Com quem foi?
- Com o pai das crianças.
Calvin. Essa revelação deveria causar algo nele, mas não causou nada.
- Enquanto a mulher dele estava grávida?
- Sim!
- Puxa... Coitada!
- Bem, os dois também me colocaram chifres. Aliás, ele me trocou para ficar com ela. - Ela se justificou zangada.
- Não devemos pagar o outro com a mesma moeda.
- Eu não sou moralista!
- É, nem eu, para falar a verdade. - Refletiu Chris.
Silêncio. Sam, então, medindo as palavras, perguntou:
- Você vai sair de casa?
Chris pensou. Aquela era uma boa oportunidade para terminar tudo. Ele não gostava de Samantha e sentia falta de sua liberdade. Ainda assim, aquilo não parecia ser certo. Aquela casa precisava dele. Aquela família precisava dele. Aquela família agora era a sua família.
- Não! - Respondeu ele finalmente.
- Ah! - Samantha pareceu respirar. Esboçou um pequeno sorriso, que ela logo fez questão de fazer desaparecer. Ela estava demonstrando mais emoções do que gostaria. 
- Bem - disse Chris colocando a camisa - parece que resolvemos esse problema. - Ele, então, se ajeitou na cama, querendo terminar aquele assunto.
- Parece que sim!
- Vai querer massagem hoje? - Perguntou o professor, se fazendo de sonso, como se nada tivesse acontecido.
- Não. - Ela também se deitou, se ajeitando na cama.
- Ok, então. Boa noite, Samantha!
- Boa noite, Christopher.
Cada um virou a cabeça para um lado. Apesar do peso que havia saído das costas de Sam, ela se sentia muito triste. Chris ficou pensativo. Ele também estava incomodado. Parecia que por mais que tudo estivesse "resolvido", na verdade, eles só jogaram mais poeira para debaixo do tapete. A revelação de Samantha também o incomodara demais. Ela o amava e a verdade é que no momento que ela falou aquilo, ele sabia que não era mentira. Ele virou o corpo, então, na direção dela, a viu encolhida na cama e se perguntou se ela ainda estava acordada. Seu coração pesava e ele sabia que era por causa da culpa que ele sentia por não amá-la e por tê-la traído. Começou a pensar no que ele gostava em Samantha e percebeu que tinha dificuldade de listar. Ele gostava da casa em que morava e, por incrível que pareça, já estava acostumado com a família que ela lhe dera. Ele também gostava de quando ela zelava por Enzo, quando achava que não estava sendo observada. Já a viu cantando a música da tartaruga para ele. Eram momentos muito raros, mas que o deixavam feliz. Com Joanne, ela era um pouco mais fria, porém lembrou de quando ela comprou o DVD do Elton John para a menina, o que deixou a garota doida de felicidade. Ela até assistiu o show junto com a filha e cantarolou algumas canções. Aquilo tinha sido legal, mas, ainda assim, continuavam sendo momentos raros. 
Chris também gostava quando ela o chamava de Christopher. Aquilo demonstrava intimidade. Só pessoas muito próximas a ele se sentiam confortáveis para o chamar assim, o que era quase ninguém. Ser chamado de Christopher lembrava certas situações de sua vida. A escola, a mãe dando bronca, a avó o pegando no flagra fazendo coisa errada... É, era legal, mas fora essas coisas, ele não se lembrava mais de nenhuma. 
Instintivamente, ele se aproximou de Sam e disse perto de seu ouvido:
- Desculpa!
Ele devia isso a ela. Ele também havia errado. Seu coração ficou mais leve, depois de dizer essas palavras. Ela continuou virada de costas. Devia estar dormindo. Ele, então, colocou um dos braços em cima dela e apertando-a frouxamente, fechou os olhos.