sábado, 9 de setembro de 2023

I can't erase it/ From my mind/ I just replay it, love/ Think of it all of the time

Bella tomou um belo de um susto quando se sentiu puxada para um canto. 


A porta se fechou e foi trancada. Antes que ela pudesse dizer uma coisa, ele disse:


“Dexter vai terminar com você!”


Oi? Como assim? O que estava acontecendo? Bella queria dizer algo, mas estava surpresa com a situação. 


“Co-como você sabe disso?”, Bella perguntou ainda atordoada. Logo depois percebeu que a pergunta era idiota. É claro que ele sabia. Ele lia mentes. A cara de Edward não contradisse o fato de que sua pergunta era idiota. Ela respirou fundo e por fim falou: “Não tem como ele terminar comigo. Nós nem estamos namorando”.


“Ele não vai mais querer ficar com você”.


Aquilo foi uma facada em Bella. 


“Mas o que eu fiz?”


Edward fechou os olhos, depois os abriu e disse seriamente, com os olhos escuros: “Pensa em outro”.


Parecia que o chão tinha se aberto. O estômago de Bella se revirou. Pensa em outro? Pensa nele, ele quis dizer.


“Acabou de sair uma conversa minha com o Sebastian no blog. A notícia fala sobre algumas coisas, uma delas é a Megan botando o pé na sua frente para você cair”.


“Eu não penso em você!”, Bella falou ofendida. “E-eu nem gosto mais… Nossa, você é tão… Tão… Você se acha! Eu não, eu não gosto de você faz tempo!”


“Então por que você”, Edward se interrompeu e reformulou a frase de uma maneira a atenuar o que ia dizer: “Quando você pensa muito em uma coisa, as pessoas podem acabar pensando que o fato de você pensar tanto nessa coisa é porque tem algo importante ali”.


“Eu descobri algo importante pra mim naquele dia sim. Mas não tem nada a ver com gostar de você”.


“Bella, o que você viu quando a Megan colocou o pé pra você cair?”


Bella engoliu em seco. E agora?


“Eu vi que você se importa comigo”.


Edward não podia ler seus pensamentos, mas com certeza podia ouvir a batida do seu coração. Talvez nem precisasse de sua habilidade para ouvi-lo. Ela realmente estava muito nervosa.


“Bella, eu nem impedi que você caísse. Eu poderia, mas eu não impedi”.


“Mas você prestou atenção. Mesmo longe, você estava prestando atenção. Você fez uma cara estranha. Eu vi. Foi pela sua reação que eu percebi que alguma coisa estava errada. Antes de entender, eu comecei a cair, porque a Megan botou o pé na frente, mas você já sabia que ela faria isso, porque você estava lendo os pensamentos dela, não estava?”


“O que eu mais faço é ler pensamentos. Eu leio o pensamento de um monte de gente”.


“Mas você não fez só isso. Você se moveu, você ia tentar impedir que eu caísse, só que depois você parou”.


“E daí, Bella? O que tem de mais nisso?”


“Eu descobri que você se importa. Durante muito tempo eu pensei que você não ligasse pra mim, mas eu descobri naquele dia que não, que você liga!”


“Bella, eu realmente não quero te ofender, até porque, é verdade, eu ligo pra você, eu nunca deixei de ligar, isso é verdade e eu não sei porque você achava o contrário, mas v…”


“Porque você fez questão de dizer isso e agir dessa maneira!”, interrompeu Bella indo de encontro ao que Edward acabara de dizer.


“Eu? Bella, eu…”, Edward se deteve mais uma vez. Ele realmente não queria discutir aquilo com ela. “Eu leio a mente de várias pessoas, eu fico curioso, às vezes é a coisa que mais me entretém na escola, ficar lendo a mente dos outros. Eu li que a Megan estava tomando coragem para te perguntar sobre o Dexter, ela estava dias assim. Quando eu vi que ela finalmente te perguntou, eu prestei atenção. Eu queria saber o que você diria, até porque as pessoas já estavam comentando da relação dos dois e a Megan estava com ciúmes. Depois que você deu aquela resposta, eu vi que a Megan ficou com raiva e que ela, primeiro, ia te empurrar, daí ela decidiu colocar o pé na frente. Eu fiquei surpreso, provavelmente foi essa cara que você viu, você estava caindo e eu pensei em te ajudar, porque talvez você poderia se machucar, mas eu estava muito longe e, sendo bem honesto, no fundo, eu achei, não que você merecesse cair, mas que a sua resposta foi arrogante. Ainda que errada, eu entendi a reação da Megan”.


Que idiota.


“Se ele quiser terminar, que termine”, Bella finalmente disse. 


“Ele gosta de você, vocês dois são um bom casal”.


“Por que você se importa? É fofoca isso também?”


“Você me entende errado. Não é porque nessa história em si eu realmente estava curioso com o que ia acontecer que significa que eu não me importe com você. Eu me importei quando o seu pai teve um infarto. Eu perguntei sobre ele todos os dias para o Carlisle”.


“Quando eu disse que descobrir que você se importa comigo mexeu comigo não foi porque eu ainda gosto de você, mas foi para uma Bella que tinha muita insegurança e muita frustração de achar que tudo tinha sido invenção da cabeça dela, que ela tinha sentido tudo aquilo sozinha. Eu não gosto de você, eu não quero você. Quando eu falei com o Dexter que estava distraída é porque realmente eu tinha ficado confusa com o que tinha acontecido, mas quando eu ainda estava com o Chris e ele terminou comigo, eu pensava no Dexter e não em você, então quando você diz que eu “pensava em outro” estando com o Dex, me faz pensar que o arrogante é você!”


“Eu me expressei mal. Eu quis dizer o que os outros poderiam pensar, não o que eu penso”.


“E por que você se importa se o Dexter e eu ficaremos juntos ou não?”


Edward fechou os olhos mais uma vez. Ele ficou com vergonha de falar mais por fim disse: “Porque se ele terminar com você, eu fico com medo da Cheryl terminar comigo também”.


“E por que ela terminaria com você? Aos olhos dos outros, quem se comprometeu fui eu, não você”.


“Eu tenho medo dela pensar igual a você… Que se eu prestei atenção e se eu quase te ajudei significa que eu ainda… que eu me importe com você mais do que eu deveria”.


“Hmm… E como ela saberia disso?”


“A notícia com o Sebastian termina de uma forma que parece que eu estou implicado na queda. Ela deve querer saber o que foi, eu terei que contar, mas sabe-se lá como ela vai entender”.


“Você é vampiro, vai cortar a parte da leitura de mente. Fala só que você percebeu que eu ia cair e pensou em ajudar, mas desistiu”.


“Ainda assim. Por que eu quis ajudar?”


“Ué, por que você quis ajudar?”


“Foi instintivo… Vi uma pessoa caindo, pensei em ajudar”.


Os dois ficaram em silêncio. 


“Diz que…”, Edward olhou para Bella, “o Sebastian entendeu errado. Que você iria ao banheiro”.


“Pela minha reação ao que ele falou, não foi isso”.


“O que a minha situação com o Dexter iria ajudar na sua?”


“Se o Dexter não fez nada, como ela poderia fazer?”


“O Dexter vai terminar comigo?”


“Vai. Ele acha que você tem algo mal resolvido comigo e não quer ser o prêmio de consolação”.


“Eu não acho que a Cheryl vai terminar com você. Vocês são muito fortes”.


“Você e o Dexter também eram”.


“As pessoas diziam isso, mas pelo visto não era assim. Diga para a Cheryl que você viu que alguma coisa de errada estava acontecendo e pensou em intervir, mas depois viu que não era da sua conta e se deteve. Fala também que ainda que errada, você entendeu a reação da Megan quando soube da história”.


“Desculpa”.


“Eu não ligo! Quanto ao Dexter, a gente nem era namorado. Melhor agora do que depois”.


“Talvez ele mude de ideia”.


Bella deu de ombros. Ela se dirigiu à porta. Edward jogou a chave para ela, que não conseguiu agarrar. Bella pegou a chave do chão e destrancou a porta.


“Foi mal pela situação. Acabou que eu criei tudo isso sendo idiota. Ainda assim, espero que dê tudo certo com você e a Cheryl”.


Edward ia colocar a culpa no blog, mas se deteve e apenas assentiu. Bella saiu da sala, deixando o vampiro pensativo sobre como resolver as coisas.

Pré-refrão

     Sebastian e Edward estavam sentados na bancada de um bar com uma caneca de cerveja na frente de ambos. Enquanto o marido de Luciana estava em sua terceira, Edward ainda enrolava a primeira. 

    — Cevada emagrece —, constatou Seb ao ver a cara de Edward para a cerveja. — E faz bem para o intestino!

    Edward bufou com humor. A história da anorexia dele passou a ser uma verdade para todos. Ao mesmo tempo que era constrangedor, o vampiro não conseguia deixar de achar um pouco de graça, principalmente por ser homem.

     "Acho que falei droga", pensou Sebastian.

    Para aliviar um pouco a tensão do amigo, Edward logo falou:   

    — Felizmente meu intestino funciona bem.

    — Ah, sim, claro. Comida vegana faz bem pro intestino... Eu acho... — Edward concordou com a cabeça. — E como é que estão você e a Cheryl? — Sebastian emendou rapidamente para mudar de assunto. 

    — Estamos bem. — Edward franziu um pouco a testa como que pensando. — E você e a Luciana? Já conseguiram aquela intimidade?

    — Sim, sim! Finalmente!

    — Ela não tem mais vergonha então?

    — Não! Ela nem fecha mais a porta do banheiro quando vai tomar banho. Só algumas vezes, mas acho que é força do hábito.

    — E agora está está mais... aberta?

    — Totalmente! Assim, dentro do que se espera de garotas. Não é como se ela fosse adepta ao beijo grego.

    — É, isso é mais difícil de achar. A maioria não é.

    — A Margot era.

    — Sério? — Edward pareceu surpreso. Sebastian assentiu com a cabeça. — Mas até contigo?

    — Como assim até comigo, cara? Me senti um lixo agora.

    — É que isso é bem íntimo. Tem gente que considera bem sujo até.

    — A Margot é safada.

    — Com todos?

    — Não, com todos não, mas comigo era.

    — Se o pessoal souber disso, aí que vão te chamar de gay.

    — Cara, a Margot é muito chata, não retiro o que disse. No começo, a beleza compensa, mas depois você se dá conta de 'Hmmm, legal pegar essa garota, mas não namorar'. Você, dentre todos, deveria entender o que eu estou falando.

    Edward sorriu e ficou quieto. Sebastian também sorriu. Papo de homem.

    — Você ama a Luciana? 

    — Hoje sim.

    — Sério? — Edward pareceu bem surpreso.

    — Nós passamos por muita coisa juntos, sabe? Esse negócio da gente se casar, tipo, eu pensava que só eu estava sofrendo, só era difícil pra mim. Não, assim, eu sabia que era difícil pra ela também, mas pra mim parecia que era pior, sabe? Só que depois eu consegui entender que era difícil tanto pra mim quanto pra ela. Ela também teve que dizer adeus a muita coisa. Fora que agora eu tenho alguém que realmente está do meu lado o tempo inteiro, que se preocupa comigo, que me conhece. Não foi rápido, mas sim, eu amo a Luciana. 

    — Legal, cara! Fico feliz por vocês dois. De verdade.

    — E você? Ama a Cheryl?

    — Amo. Muito.

    — Ela está bem melhor. O tempo fez bem pra ela. Antes ela era muito louca. — Sebastian sorriu com as lembranças.

    — É, eu acho ela bem boazinha. 

    — Ela não era boazinha não.

    — Acho que ela era imatura na época e muito influenciável. A verdadeira fruta podre daquela sala é o...

    E os dois falaram em uníssono.

    — Vincent!

    — Pois é! Agora ela não tem mais esse fogo por poder, a turma dela é menos tosca, então ela está podendo ser quem ela é de verdade. Não to dizendo que ela é uma santa, não acho que ela seja isso, mas ela se preocupa com os dela e eu acho isso bastante louvável. Ela também é muito leal aos amigos. Eu, na verdade, tenho muita pena dela. Acho que ela sofre muito.

    — Não sei como ela conseguiu perdoar o Vincent.

    — Ela é super dependente dele. — Edward falou com raiva. — Ele fez ela ser dependente dele e agora ela não consegue sair.

    — Tem gente falando que é castigo o que ela sofre...

    — As pessoas são muito ruins.

    — Olha, não vou mentir, eu acho que o que ela fez com a Kimberley foi bem... não foi legal, cara. Fora a Amara, que até hoje é bitolada. Mas isso não significa que ela mereça as coisas que aconteceram com ela, porque foram coisas muito pesadas.

    — Ela era muito imatura, eu penso. Claro que causaram danos reais, mas, assim, falando da Amara, que foi o pior, ela não fez isso sozinha e acho que tem arrependimento hoje em dia.

    — A Kimberley é bissexual até hoje por causa dela.

    — Mas é aquela coisa, Sebastian, você pode até tentar me atiçar, mas se eu sei o que eu sou, eu não vou cair na sua lábia.

    — Tem muita gente influenciável, Edward. A tv já fez muito estrago.

    — Eu sei, mas eu não coloco as minhas mãos no fogo pela sexualidade de ninguém. Quem disse que no futuro outra pessoa não a influenciaria pra esse lado? Ela é carente, qualquer pessoa que desse atenção, ela poderia correr o risco de acabar se afeiçoando. 

    — Você virou um defensor da Cheryl mesmo. Olha, não me entenda mal, eu gosto muito dela, tenho muito carinho, mas reconheço os defeitos também.

    — Eu também reconheço, mas do que eu vejo de agora, eu consigo olhar pra trás e compreender muita coisa de maneira diferente de quando elas aconteceram. Agora é uma Cheryl madura e essa Cheryl madura não faz as coisas que a Cheryl mais nova fazia, entende?

    — O que uma b****a não faz?!

    Edward pensou numa resposta pesada, mas respondeu, bebendo o último gole de sua cerveja.

    — Que baixaria.

    — Ficou com calor? — Sebastian riu, mas Edward continuou pleno olhando para o amigo. — Está bem, tenho outra pergunta: Dexter e Bella. Disserte.

    — Disserte você.

    — Não acho que eles combinem.

    — Você é um hater solitário.

    — Então você shippa?

    — Não é isso, só não ligo. 

    — Eu não compro a sua impassividade. Ninguém fica impassível quando já amou alguém.

    — Então você não é impassível a Cheryl?

    — Nunca disse que era. Eu continuo me importando com ela, só que não mais romanticamente.

    — Eu também me importo com a Bella, só que em coisas importantes. Quando o pai dela ficou doente, eu me importei, agora com quem ela namora, pra mim é irrelevante. 

    — Não é estranho pra você estar numa roda, você e um grupo de amigos conversando e você olhar pra uma garota e pensar 'Nossa, nós já nos beijamos, já dormimos juntos'?

    — Isso foi bastante específico. Você está bem?

    — Você nunca responde a pergunta. Sempre acha um jeito de desviar. Isso é muito suspeito.

    — Eu realmente não entendi aonde você quis chegar com aquela pergunta.

    — Você e a Bella. Ou você e a Katie.

    — Eu não converso com a Bella.

    — Por quê?

    — Porque não temos mais nada em comum.

    — Sabe o que eu acho? Eu acho que você tem medo de se aproximar dela, porque você sabe que se você se aproximar, você vai se apaixonar de novo.

    — Bom, eu não sei da onde você tirou isso, principalmente porque você nunca testemunhou nós dois juntos, mas acho que a sua frase diz mais sobre você do que sobre mim. 

    — Como assim?

    — Nada, deixa como está.

    — Fala, cara! 

    — Está tudo bem, Sebastian.

    Sebastian parou um pouco, mas depois começou a rir.

    — Você é bom.

    — O quê?

    — Fale o que quiser, mas eu vi.

    Edward ia perguntar o que ele viu, mas antes disso leu o pensamento de Sebastian e entendeu exatamente o que ele quis dizer. O vampiro se deteve um pouco. Era melhor fazer com que o inglês falasse, afinal poderia dar a sua explicação e mostrar que aquilo não tinha sido nada demais.

    — O que você viu? — Edward perguntou cautelosamente.

    — Megan botou o pé na frente para ela cair. Sua pupila dilatou quando se deu conta de que iria cair. Assustada, ela olhou. Foi quando ela viu.

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Descoberta e arrependimentos

Tom estava com sua ficante, e quase namorada, Camila, na casa dela assistindo que seja doce. Ele estava com o braço apoiado nos ombros da moça, se sentindo um pouco entediado com a programação. 

Seu celular vibrou no seu bolso, e ele pegou para ver o que era. O anúncio que uma notícia no blog tinha saído. O ícone da notícia era um gif da Cheryl, com o título, Festa do Nico. Intrigado, o professor de francês clicou para ler a notícia.

Conforme foi lendo o conteúdo, Tom tirou o braço de cima da Camila e foi ficando cada vez mais tenso.

Camila observou a postura do professor, e quis saber o que Tom tinha lido que o deixara tão rígido.

"O que foi, mô?" Camila colocou a mão no joelho dele.

"Minha ex." Tom balançou a cabeça em negação. Aquilo não podia ter acontecido. Não com ela. Não de novo.

Camila ficou com ódio instantâneo ao ouvir a menção da ex. "Você tá assim todo estranho por causa da sua ex?" Ela perguntou irritada.

Camila não conhecia a ex de Tom, nem ao menos tinha visto uma foto. Ela só sabia que tinha sido modelo, era estrangeira, e seu nome era Cheryl.

Camila imaginava uma morena de olhos azuis, alta, magra e exótica. 

Não se engane, a autoestima de Camila era lá no alto. Ela era considerada extremamente atraente, também era modelo, alta, magra, e super segura de si. Mas não saber a cara de Cheryl, fazia ela imaginá-la perfeita, e quem conseguia competir com uma mulher sem defeitos? 

"Ela foi estuprada." Tom revelou. 

Camila abriu a boca, em pleno choque.

"Não creio! Como que aconteceu?"

"Numa festa. O melhor amigo dela... Não acredito que aquele m***a teve coragem de fazer isso. Ela confiava naquele imbecil." Tom sentiu seu sangue ferver de raiva. 

"Tem certeza que ela foi estuprada mesmo? Às vezes ela quis e se arrependeu."

"Tenho." Os olhos de Tom se encheram de água. "E ela é tão pequena que não tem nem como se defender. Qualquer mal-intencionado que queira tirar vantagem dela, consegue."

Então ela não é alta... menos mal. Às vezes ela nem é tão bonita...

"Eu vou ligar pra ela." Tom começou a digitar o número da Geordie.

Camila quis pedir que não ligasse, mas achou melhor ficar quieta, afinal, nunca tinha visto o professor tão emotivo antes. 

Tom escutou o telefone da menina chamar, mas ela não atendeu. 

"Caixa postal." Tom informou. 

"Eu acho que você não devia se meter nisso. Geralmente, as mulheres que passam por isso não gostam de ficar falando sobre, principalmente pra ex."

"É que... Eu fui péssimo pra Cheryl por um bom tempo. Fui bastante abusivo. Fiz ela pensar que sem sexo, ela não me servia, que não tinha valor." Tom fechou os olhos, triste com a lembrança. "Eu cheguei a machucar ela fisicamente mais vezes que eu gostaria de admitir. Um homem do meu tamanho usando força em uma menina do tamanho dela... grande covardia. Não me admira que ela ficava marcada."

Camila escutou o discurso de Tom calada, surpresa com as revelações do professor. 

"Pra completar, como se ela não tivesse sofrido violência o suficiente comigo, ela é estuprada incontáveis vezes no mesmo dia por um filho da mãe que não sabe receber não como resposta. E agora, chega esse outro filho da mãe, que diz ser amigo dela, e estupra ela de novo. Como é que não tá a mente dessa garota? Como é que ela vai confiar em alguém depois ter sido abusada tantas vezes? E o que ela vai esperar dos relacionamentos dela? Violência? E o pior de tudo é que ela vai aceitar. Vai achar que qualquer homem tem direito ao corpo dela, porque ela mesma não tem. Porque quando ela diz não, eles vão e impõem o sim." 

Tom estava tão revoltado que a sua política de não falar sobre a Cheryl para Camila caiu por terra. 

"E ainda tem o padrasto! Você acredita que uma vez ela me disse que evitava ficar sozinha com o padrasto em casa, e quando eu perguntei o porquê, ela não quis dizer." 

"E por que ela não denuncia esses homens?" 

"Porque ela tem vergonha, medo, pena." Tom respondeu frustrado e soltou um suspiro. "Desculpa tá descarregando isso em você. Eu vou pra casa." O professor levantou do sofá. 

"Você não precisa ir." Camila falou chateada. 

"Eu prefiro. Amanhã eu passo aqui."

"Tá bom."

Camila tentou não ficar chateada quando Tom saiu sem dar um selinho de despedida.